Morte Invisível, Lene Kaaberbøl e Agnete Friis, tradução de Marcelo Mendes, 1ª edição, São Paulo-SP:
Arqueiro, 2015, 320 páginas.
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Um objeto encontrado em meio às ruínas de um hospital militar soviético pode render muito dinheiro no mercado negro, além de contribuir para que uma família de ciganos abandone a pobreza e se livre assim de todo o preconceito. No entanto, esse mesmo objeto, tão valioso, pode provocar a morte de centenas de pessoas caso pare nas mãos de pessoas erradas.

A enfermeira Nina Borg também se preocupa com as minorias que sofrem algum tipo de preconceito, por isso, contrariando um pedido de seu marido, ela acaba colocando sua vida em risco ao aceitar cuidar de ciganos húngaros que estão sofrendo de uma misteriosa doença. Ela só não poderia imaginar que estaria se envolvendo também com um segredo ligado a atos terroristas e pessoas fanáticas.

“Ela fora levada até ali por conta daquela mesma ansiedade irracional que a acometia nesse tipo de situação, ciente de que Morten não gostaria nada de saber que ela quebrara sua promessa por causa de algumas crianças que, no fim das contas, nem doentes estavam de verdade. O marido talvez não desse nenhuma importância à condição daquelas crianças, mas Nina dava” (pág. 123).
O Menino da Mala foi uma leitura incrível. Por uma série de motivos, o enredo, a escrita e a protagonista resultaram em uma experiência muito agradável. Mas o segundo título da série Nina Borg ficou longe de se aproximar da maestria do anterior, mesmo que as autoras Lene Kaaberbøl e Agnete Friis tenham mantido algumas características que conquistaram anteriormente.

Ambos os livros começam de forma lenta, mas Morte Invisível demora ainda mais a revelar o caminho que será seguido pelas autoras. Até existe um mistério convincente, mas não é o suficiente para prender a atenção como aconteceu com o caso do menino encontrado em uma mala. Além do mais, esse próprio mistério acaba se confundindo com as injustiças sociais que colocam todas as personagens em um mesmo núcleo narrativo.

O que acontece é que até dado momento a prioridade de preparar o terreno acaba dando lugar à falta de tensão. Kaaberbøl e Friis usam o poder da literatura para mostrar a crueldade vivenciada por ciganos no submundo da capital dinamarquesa, ressaltando que o preconceito sofrido por estrangeiros pode ir muito além do imaginado, a ponto de movimentar todo um país e colocar uma cidade inteira em risco. No entanto, até chegar ao desenvolvimento dessa confusão, obviamente que muitas coisas precisam acontecer.

Essas coisas envolvem uma série de personagens, assim como aconteceu com o primeiro livro, porém dessa vez nem mesmo a personagem que dá título à série pode ser considerada uma protagonista nata. O fato de cada capítulo retratar uma personagem, seguindo caminhos bem distintos, é uma forma de ter diferentes pontos de vistas que no fim acabam chegando a um mesmo lugar. O encontro entre todos eles acontece do melhor modo possível, o que é bem verdade, ainda que nem todas as pessoas possam sem consideradas fundamentais.

Pelo menos até as últimas cem páginas, não existe nenhuma situação capaz de mostrar o que de fato podemos esperar do desenvolvimento do enredo. Acompanhamos uma investigação policial, a vida de um casal quase que insignificante, as condições precárias de vida de algumas pessoas e como Nina Borg entra em cena para ajudar exatamente essas pessoas, mas tudo acontece de modo muito isolado. É possível ligar algumas pontas soltas, mas sem a adrenalina comum em todas as obras do gênero. É exatamente isso que faz tanta falta em Morte Invisível.

Em um enredo repleto de altos e baixos, a grande surpresa fica por conta de seu final. A leitura lenta durante boa parte do livro acaba não preparando o leitor para os momentos finais, esses sim repletos de tensão e revelações surpreendentes. Sendo Morte Invisível um suspense para retratar um pouco da realidade, dá para dizer que a realidade humana encontrada aqui pode pregar muitas peças, visto que mesmo o óbvio tem suas surpresas.

“Não tinha energia suficiente para dar ao rapaz a água, o sabão e a toalha de que ele precisava para lavar as próprias mãos. Vira as imagens. Não havia ninguém apontando uma arma para a cabeça dele. Ninguém o obrigara a ficar olhando de braços cruzados enquanto arrancavam a calcinha de sua filha. Ele estivera livre para fazer o que bem entendesse” (pág. 245).

2 Comentários

  1. Oi
    tenho uma pequena curiosidade em ler esse livro, não sábia que fazia parte e uma série. Gostei da resenha e é sempre bom ler livros de suspense interessante, gosto desse gênero e gostei da capa dele.

    momentocrivelli.blogspot.com.br

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  2. Oi!!
    Eu achei a capa do livro bem interessante, mas não sabia do que ele se tratava, mas tinha uma leve desconfiança e por isso mesmo não procurei saber mais sobre o livro. Eu não gosto muito de thrillers e suspenses e assim como imaginei não me interessei pela leitura :(

    Xo
    Alisson
    Re.View

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