Antes da Forca, Joe Abercrombie, tradução de Alves Calado, 1ª edição, São Paulo-SP:
Arqueiro, 2014, 496 páginas.
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Apesar de O Poder da Espada não ser um livro ruim, algumas situações que incomodaram anteriormente me obrigaram a postergar a leitura de sua continuação, Antes da Forca. Algumas vezes por ter outras prioridades, outras apenas por receio de encontrar uma leitura cansativa. Hoje, mais de nove meses depois de ter o livro em mãos, posso dizer que não deveria ter enrolado por tanto tempo.

É bem verdade que o segundo livro de Joe Abercrombie não foi a leitura mais rápida dos últimos tempos, contudo foi possível se surpreender com um enredo mais convincente, cenas memoráveis e algumas explicações fundamentais para o entendimento deste universo. Ainda que também demore a mostrar ao que veio, quando isso acontece o envolvimento é quase imediato.

Dividido em duas partes, Antes da Forca começa já mostrando como os diversos núcleos narrativos estão formados e se preparando para as novas aventuras. Se em alguns núcleos o início chega a ser monótono, em outros isso definitivamente não acontece, como no caso de Sand dan Glokta.

Ao deixar claro desde o início o que esperar dessa personagem, o autor instiga uma relação mais próxima e por isso passei a contar as páginas para que Glokta voltasse a ser o centro das atenções. A certeza de que seus capítulos reservam sempre algo que ressalta a qualidade dessa personagem era apenas mais um motivo para considerá-lo excepcional. Uma personagem como poucas.

Enquanto isso, nos demais núcleos, são apresentadas batalhas sangrentas, elaboração de planos e revelações que começam a dar uma característica própria à trilogia A Primeira Lei. A união de personagens como Logen, Jezal, Ferro e Bayaz apenas engrandece as cenas protagonizadas por eles, afinal são fundamentais para o já citado entendimento. Sendo Bayaz, o Primeiro dos Magos, o grande responsável pelas explicações, fica fácil se sentir parte do grupo e ter o desejo de ir além das páginas do livro.

E se antes as questões políticas já influenciavam diretamente todas as ações, agora isso se torna ainda mais imprescindível. São intrigas políticas e desejos pessoais que se sobressaem ao longo da obra e, conforme tais situações se intensificam, a complexidade se torna mais evidente. Em breve comparação, o lado político é tão importante quanto o mitológico, sendo original e agora sim muito bem explorado — apesar de imaginar que será mais significativo no desfecho da trilogia.

Como um todo, Antes da Forca pode ser considerado melhor que o livro anterior, mesmo que o ritmo de leitura tenha sido inferior. Se fosse necessário encontrar um lado positivo de tal lentidão, seria uma maior apreciação de cada detalhe e das descrições apresentadas por Joe Abercrombie de modo tão particular. Ele pode ter criado uma expectativa muito grande para o desfecho de um dos núcleos e ter decepcionado com isso, mas surpreendeu com mortes inesperadas e grandes batalhas. A fantasia aliada com a condição humana, explorada cuidadosamente até na mais insignificante personagem, faz de Joe um grande representante de seu gênero.

“A boca de Jezal se abriu. Seu corpo se imobilizou. Aquilo só havia levado um aterrorizante segundo. Num momento cinco homens estavam ali parados, no outro eram carne trucidada no meio de um monte de entulho. Em algum lugar, atrás de si, ele ouviu o zumbido de uma corda de arco. Houve um grito e um corpo caiu no vale, ricocheteou nas rochas afiadas e bateu como um trapo, de cara para baixo no córrego” (pág. 155).

3 Comentários

  1. Olá Ricardo!
    Não conhecia esse livro e nem a trilogia. Parece ser bem legal, mas pelo disse a leitura dele em alguns momentos é bem arrastada. Isso poderia tirar o meu interesse!
    Fora isso parece ser mesmo uma boa leitura.
    Beijos!

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  2. Oi
    Nem conhecia o livro e nem sabia que tinha outro antes dele, até parece ser interessante mais não chamou muito a minha atenção a sinopse, mesmo pela resenha não fez interessar.

    momentocrivelli.blogspot.com.br

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  3. Olá Ricardo,

    Estou para iniciar a leitura do terceiro livro, mas diferente de você gostei do primeiro e não achei a leitura cansativa de nenhum dos dois livros...parabéns pela resenha...abraço.


    devoradordeletras.blogspot.com.br

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