Os Filhos de Odin, Padraic Colum, tradução de Santiago Nazarian, 1ª edição, São Paulo-SP:
Única, 2015, 224 páginas.
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Apesar de não conhecer a mitologia nórdica por completo, ela sempre se mostrou tão interessante quanto todas aquelas que estamos acostumados a conhecer nas aulas de história e nas diversas produções da indústria do entretenimento. A importância dela também deve ser levada em consideração, sobretudo pelos fãs de um dos mais adorados super-heróis da Marvel. Esses vão se interessar por Os Filhos de Odin instantaneamente.

Padraic Colum é considerado um dos principais representantes da chamada Renascença Céltica, movimento que impulsionou a criação literária inspirada na cultura celta. O fato de Colum ser pesquisador do folclore irlandês explica o modo como a obra em questão é escrita, reunindo histórias dos heróis e deuses que até então desconhecia ou que haviam sido apresentados apenas pelos quadrinhos e os recentes filmes de sucesso.

No entanto, como era de se esperar, o livro apenas revela as referências utilizadas na criação dos quadrinhos — inclusive explicando fatos importantes. A essência é exatamente oposta. Ao publicar sua obra, em 1920, o autor tinha a intenção de tirar do esquecimento os nomes da mitologia nórdica e consequentemente revelar os mínimos detalhes de tudo o que está por trás de cada personagem. Você está redondamente enganado se pensa que conhece Odin, Thor e principalmente Loki. Os três e os demais deuses, como Tyr, Frigga e Freya, têm muito mais a transmitir.

Dividido em quatro partes bem distintas, com cada capítulo apresentando uma lenda, Os Filhos de Odin mostra uma série de acontecimentos anteriores ao chamado Ragnarök, o Crepúsculo dos Deuses. As aventuras de Odin e seus filhos, que aconteceram muito antes de o mundo se tornar como o conhecemos, ressaltam o poder dos deuses e mostram seus encontros com outros seres, como dragões e gigantes, no tempo em que esses andavam livremente.

Se levar apenas o enredo em consideração, a mitologia nórdica é de uma criatividade sem igual. Até o mais insignificante fato pode ter uma importância gigantesca, se não para a construção da personalidade dos seres em questão, ao menos para as possíveis intrigas que podem por ventura surgir cedo ou tarde. Por isso a afirmação anterior de que sem um estudo maior, ninguém pode dizer que conhece verdadeiramente os deuses da mitologia nórdica.

A apreciação de Os Filhos de Odin pode ser comprometida apenas pelo estilo narrativo de Padraic Colum. Em alguns momentos a leitura se tornou cansativa, especialmente pela repetição incansável de determinadas palavras, o que não tira o mérito da qualidade literária de Colum, reconhecida inclusive com importantes prêmios. Apesar de sua escrita não ser a mais atrativa, a ponto de não me envolver a todo instante, o enredo dá conta do recado.

No geral, os mitos aqui encontrados são mais surpreendentes do que o esperado e por isso a leitura deve ser realizada por todos que apreciam algo relacionado à mitologia nórdica. Afinal, é uma forma de aprendizado. Ao conhecê-la melhor, é provável, por exemplo, que a raiva por Loki se torne tão grande quanto à admiração, isso porque ele é o tipo de personagem que consegue ir aos dois extremos. E isso pode acontecer também com outras personagens, que surpreendem da forma menos esperada.

“Quando bebeu do grande chifre que Mimir tinha dado a ele, colocou a mão no rosto e arrancou o olho direito. Terrível foi a dor que Odin sentiu, mas não grunhiu nem gemeu. Abaixou a cabeça e colocou seu manto diante do rosto, enquanto Mimir pegava o olho e o deixava afundar profundamente na água do Poço da Sabedoria. E lá permaneceu o Olho de Odin, brilhante através da água, um aviso do preço que o Pai dos Deuses havia pago por sua sabedoria” (pág. 68).

2 Comentários

  1. Oi Ricardo, estava esperando a resenha deste livro :) Eu acho que todo mundo que gosta de mitologia vai curtir conhecer mais sobre os deuses, já quem só gosta da Marvel pode se decepcionar um pouco... haha

    Beeijos, Paola
    uma-leitora.blogspot.com.br

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    1. Isso é verdade, Paola. haha Até li uma resenha em que a pessoa dizia exatamente sobre a forma como a editora está "vendendo" o livro. Isso pode prejudicar, infelizmente. :(

      Beijos,

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