Ligeiramente Casados, Mary Balogh, tradução de Ana Rodrigues, 1ª edição, São Paulo-SP:
Arqueiro, 2014, 288 páginas.
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1814. À beira da morte, o capitão Percival Morris pede ao seu superior, coronel Aidan Bedwyn, que ele leve pessoalmente a notícia de seu falecimento a sua irmã e que cuide dela a todo custo. Por ter uma dívida com Morris e valorizar a sua honra, Aidan não pensa duas vezes antes de visitar a jovem Eve para cumprir a sua promessa.

Logo após dar a triste notícia, Aidan Bedwyn descobre que, devido ao falecimento precoce do irmão, a jovem está prestes a perder toda a sua fortuna e prejudicar as pessoas que dependem de seus cuidados. A não ser que ela se case antes de completar um ano da morte do pai.

Faltando apenas quatro dias para isso acontecer, Aidan propõe um casamento de conveniência, prometendo sumir da vida de Eve tão logo ela se livre do risco de perder tudo. Porém, mesmo neste caso, o novo casal precisa passar por algumas formalidades. Com isso, o que era para ser passageiro aos poucos começa a se estender por um longo tempo…

“Aquilo não fora parte do acordo entre eles. Na verdade, parecera muito importante na época, para os dois, que se casassem apenas no nome, e que se separassem o mais rápido possível depois da cerimônia. Eve já não conseguia mais se lembrar das razões para isso. Conseguiria mais tarde, quando estivesse pensando com clareza. Também se odiaria mais tarde, se continuasse agora, se cedesse ao desejo. Mas por que não?” (pág. 132).
Apesar de não ser um gênero novo, os chamados romances de época voltaram a fazer um grande sucesso quando a editora Arqueiro apostou na publicação de séries muito elogiadas pelo público. Tantos elogios não poderiam passar despercebidos, ainda que a expectativa se resumisse a uma leitura agradável e, quem sabe, divertida. Ao ter uma experiência agradável, a apreciação foi quase imediata.

Sabendo que a leitura de Ligeiramente Casados não passaria de uma forma de entretenimento, não demorou ao seu enredo se tornar envolvente, muito devido a um estilo narrativo bem estruturado e com certa aproximação da autora com seu leitor. É bem verdade que o envolvimento não dura a obra toda, porém Mary Balogh soube balancear os obstáculos e os momentos de calmaria, impossibilitando a falta de interesse.

Isso não impediu, no entanto, que a autora pecasse em algumas situações no primeiro livro da série Os Bedwyns. Por exemplo: quando o coronel Aidan faz a proposta de um casamento por conveniência, Eve não reluta em aceitar. Apesar de existir um motivo convincente para isso, e os dois passarem o livro todo sem se entender, esperava um orgulho maior por parte dela. Mesmo que na época fosse comum esse tipo de matrimônio, uma resistência causaria um grande divertimento.

Se comparado com as opiniões em relação aos demais romances de época da editora, a falta de humor pode ter comprometido o resultado final. Até existem momentos engraçados, em especial pelas personalidades dos protagonistas, mas isso ficou longe de ser uma constante. São momentos raros em uma obra de quase trezentas páginas.

O brilho não se perde pois as complicações que surgem com o passar do tempo faz o papel de unir duas pessoas que estão predestinadas a ficar juntas desde a primeira troca de olhares — ainda que exista certos cupidos com a mesma missão. Se as brigas e confusões não são suficientes, as complicações dão conta do recado, ainda que não leve para o lado do humor.

Mas já é possível afirmar que a principal característica de Balogh é a construção de suas personagens. Todas elas, principais ou secundárias, são bem definidas e suas personalidades, como citado anteriormente, são essenciais no desenvolvimento do próprio enredo. Como a autora ainda apresenta os protagonistas dos próximos cinco livros, acaba instigando a curiosidade pelas sequências, visto que todos os Bedwyns são completamente opostos.

Se for escolhido como uma leitura despretensiosa, Ligeiramente Casados pode ser uma ótima opção, afinal apresenta belas cenas que são bem específicas de quando a aristocracia está em evidência e uma história de amor capaz de encantar os mais apaixonados. Mas vale ressaltar que apreciar o gênero ou ao menos a época é essencial para se sentir no mínimo satisfeito com essa escolha.

“Não queria que ele partisse. Era simples assim. Não estava pronta… jamais estaria. Então a manhã chegara e ela descobrira que conseguira um adiamento. Teria outro dia para passar ao lado do marido… e a mesma angústia para suportar à noite e na manhã seguinte. Ficaria quase desapontada com a decisão dele. A pior parte da agonia dela já poderia ter terminado àquela altura. Mas talvez não” (pág. 240).

3 Comentários

  1. Olá Ricardo!
    Adorei a resenha como sempre.
    Eu gosto bastante de histórias de época, mas geralmente sendo algo mais puxado para o medieval.
    Fiquei com vontade de ler o livro. =D
    Beijos!

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  2. Rick, fico muitíssimo feliz que tenha curtido a leitura de Ligeiramente Casados, visto que fui eu que indiquei para introduzi-lo ao gênero de romances de época de que tanto gosto e me divirto.
    Sem dúvida você não começou pelo top dos tops, mas acho que já deu pra perceber que todas essas leituras guardam bons momentos e passatempos e, quando falta o humor de que você sentiu falta, compensa em outros aspectos, como a época em que se passa.
    Eu me apaixonei perdidamente por esse gênero quando a Arqueiro trouxe séries tão maravilhosas e apaixonantes e que espero que você consiga conferir uma por uma em breve. Apesar de ainda não ter lido Ligeiramente Casados, já tenho altas expectativas para o livro e para os outros títulos que a Arqueiro trará em breve. E eu realmente espero vê-lo aproveitando mais e mais essa leitura! rsrs
    Adorei a resenha, com classe e polidez, tanto quanto os livros de época demandam e merecem. Parabéns!!

    Beijos,

    Only The Strong Survive

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    1. Vê, depois de você indicar os romances de época eu precisaria me render a eles. rsrs Claro que por ser uma indicação sua já imaginava que teria uma experiência no mínimo agradável e isso de fato aconteceu - inclusive com o outro romance de época que li depois desse.
      Quando você diz "top dos tops", acho que sei de qual livro/série/autora você está falando, que deve ser exatamente o segundo romance de época que li - graças a você mais uma vez, veja só você! kkkk E se não tenho altas expectativas, por não ser o meu gênero favorito, não posso negar que ao menos tenho certa curiosidade. Curiosidade essa que certamente vai me fazer aproveitar outra leitura do gênero e, provavelmente, em um futuro não tão distante. Se for o caso, espero também aproveitar. :D
      Muito obrigado pela indicação e, mais do que isso, por seu comentário. *-*

      Beijos!

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