O Sangue do Cordeiro, Sam Cabot, tradução de Cláudio Carina, 1ª edição, São Paulo-SP:
Arqueiro, 2015, 368 páginas.
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O padre jesuíta Thomas Kelly fica cético ao ler uma carta que cita um documento capaz de abalar a Igreja. Ainda que esse documento esteja perdido, Thomas duvida que realmente exista algo com esse poder. Pelo menos até ser convocado pelo Vaticano para uma busca desesperada.

Enquanto isso, Lívia Pietro recebe ordens claras dos líderes de um conselho: ela precisa se unir a Thomas e ajudá-lo na busca pela Concordata, um tratado que pode colocar em risco todo o povo de Lívia.

Após se unirem, Thomas e Lívia passam a investigar os manuscritos de um poeta do século XIX, que os levam para várias igrejas de Roma. Ao mesmo tempo em que descobrem segredos e conspirações, os dois são caçados por pessoas capazes de tudo para encontrar o documento perdido antes de qualquer outra pessoa e revelá-lo ao mundo.

“Thomas tinha certeza de que sem a ajuda de Lorenzo na época, sem os telefonemas tarde da noite nas semanas e nos meses que se seguiram, ele teria cometido o grave erro de dar mais valor à nova voz do que à antiga paz. Teria abandonado sua vocação e deixado a Igreja. Agora, oito anos depois, com Thomas seguro de sua decisão e no comando da própria vida, Lorenzo pedia ajuda a ele.
Como poderia recusar?” (pág. 36).
Não tem jeito: uma obra de ficção que tenha a igreja como tema é suficiente para entrar na lista de leitura, sem a necessidade de conhecer nem ao menos a sinopse. Se, além disso, existir algum elemento sobrenatural, a curiosidade e expectativa alcançam níveis elevados. Talvez esse tenha sido o grande erro ao conhecer O Sangue do Cordeiro.

Escrito por Carlos Dews e S. J. Rozan, sob o pseudônimo Sam Cabot, O Sangue do Cordeiro é um thriller capaz de envolver tanto quanto qualquer outro livro do gênero, porém peca por conter situações previsíveis e por seu desfecho não ser tão surpreendente. Isso porque se as poucas dicas forem levadas em consideração, é possível descobrir a grande revelação muito antes de ela realmente acontecer.

Antes disso, no entanto, não dá para negar que o desenvolvimento acontece do modo ideal e o suspense é tão instigante que a leitura acaba se tornando muito agradável. Em cada etapa da busca pela solução do mistério, Thomas e Lívia descobrem um novo poema com alguma dica sobre o que devem fazer a seguir, por isso a espera por uma nova revelação se torna o grande aliado do ritmo de leitura.

É ao longo dessa busca que as explicações sobre os aspectos sobrenaturais acontecem, porém eles não são explorados como o esperado. Embora seja muito explicado, para um melhor entendimento do leitor e de Thomas, esse novo elemento é quase que superficial e apenas teórico, apesar de sua importância gigantesca. O lado positivo é que nada se torna exagerado e, na medida do possível, até poderia ser o retrato da realidade.

O grande problema em toda a obra é a divisão em vários núcleos, por vezes quebrando o ritmo adquirido quando o foco são os protagonistas. O único núcleo que poderia ter o mesmo destaque não demora a se mostrar apenas como algo para criar obstáculos aos protagonistas e, se esse era o plano, os autores não foram muito felizes. Se os aspectos sobrenaturais jamais poderiam ser descartáveis, o mesmo não se pode dizer de tais divisões — se fossem eliminadas, não existiria qualquer diferença.

No geral, ainda que seja bem inferior aos maiores sucessos do gênero, O Sangue do Cordeiro prendeu a atenção e a experiência de leitura não pode ser simplesmente esquecida. O que realmente faltou foi a ousadia dos autores ao trabalhar o desfecho com algo que fosse muito além do imaginado. Caso isso tivesse acontecido, até as críticas poderiam facilmente ser ignoradas, dando espaço a muitos outros elogios.

“O que significava tudo aquilo? Quem era aquela gente e por que tinham tido tanto trabalho para assustá-lo? Porque sem dúvida era disso que se tratava. Aqueles lunáticos estavam brincando com a mente dele. Para distraí-lo, só podia ser. Sim, é claro. Para neutralizá-lo. Para impedir que achasse a Concordata antes deles” (pág. 102).

2 Comentários

  1. Olá Ricardo,

    Esse livro está na minha lista de desejados, essa é a primeira resenha que leio dele que apesar do detalhe me animou ainda mais...abraço.

    http://devoradordeletras.blogspot.com.br

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  2. Oie
    Parece ser uma história bem intensa.
    Minha curiosidade pela série aumentou com a publicação do terceiro livro que tem uma capa linda, quem sabe eu leia.

    Beijos
    http://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com.br/

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