7º Céu, James Patterson e Maxine Paetro, tradução de Marcelo Mendes, 1ª edição, São Paulo-SP:
Arqueiro, 2012, 208 páginas.
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A vida de Michael Campion, filho do ex-governador da Califórnia, sempre atraiu a atenção de todos, por isso o país se comoveu com o seu desaparecimento. Depois de três meses sem qualquer pista sobre o que aconteceu, a polícia de São Francisco descobre que Michael foi visto pela última vez entrando na casa de uma prostituta.

Lindsay Boxer e seu parceiro Richard Conklin são os responsáveis pela investigação, mas não demoram a assumir outro caso: uma série de incêndios criminosos em mansões da cidade. Para encontrar o responsável por esses incêndios, Lindsay conta com a ajuda de suas melhores amigas, enquanto uma delas, Yuki Castellano, protagoniza o julgamento mais importante de sua carreira.

“Por um tempo, talvez algumas horas, os dois ficaram ali, conscientes, esperando a morte chegar. Era mais um caso hediondo de terror psicológico. Os assassinos tiveram a intenção de fazê-los passar por aquele calvário.
Mas quem seriam eles? E que motivos teriam para cometer um crime brutal?” (pág. 39).
Embora tenha uma grande admiração por todo o trabalho de James Patterson, mesmo por seus livros mais criticados, não foi a sua principal personagem (Alex Cross) que mais me conquistou. Diria até que não foi a protagonista de Clube das Mulheres Contra o Crime, a minha série favorita. Isso porque, mesmo gostando muito de Lindsay Boxer, a líder desse grupo de amigas não seria absolutamente nada sem suas grandes companheiras.

Se em algum momento tive dúvidas sobre essa afirmação, todas elas foram esclarecidas com 7º Céu. No geral o enredo foi tão envolvente quanto todos os demais livros da série, no entanto, mais uma vez, uma das amigas que fazem parte do clube acabou se destacando mais do que a própria narradora. Ainda que no final a importância de ambas seja esclarecida de uma maneira muito convincente, provando que a união de todas é o que faz a diferença.

Essa não é a primeira vez em que Patterson usa algum membro da família de um político como principal vítima de um caso. Mas o que poderia ser considerado uma falta de originalidade por parte do autor, se transforma na grande qualidade da obra, visto que o mistério do desaparecimento de Michael Campion persistiu ao longo de toda a leitura e, mais do que isso, surpreendeu com seu desfecho, mostrando que é possível ser diferente mesmo sendo tão igual.

O grande problema foi a rapidez com que uma provável culpada apareceu em cena. Não haveria qualquer problema se a obra não apresentasse um segundo caso que, além de não ser tão atrativo, serve apenas para mostrar a rotina de uma policial que trabalha em diversos casos simultaneamente. Os incêndios em mansões de São Francisco acabam ocupando um espaço que poderia ser dedicado para desenvolver melhor a investigação, deixando o julgamento para os momentos finais e não como aconteceu, durante quase todo o livro.

Essa escolha acaba sendo compreendida apenas pela possibilidade de destacar também o trabalho da advogada Yuki Castellano. Mas se pensarmos que, desde que ela entrou para o Clube das Mulheres contra o Crime, os julgamentos se tornaram cada vez mais frequentes e importantes para os enredos, se torna impossível não perceber que a fórmula está sendo repetida incansavelmente. Um grande problema para quem se incomoda com o método de trabalho de James Patterson.

Por não ser o meu caso, 7º Céu acabou envolvendo como todos os livros anteriores e, como citado, reafirmando o motivo de essa ser a minha série favorita entre todas aquelas já publicadas por James Patterson. É bem verdade que, em minha opinião, poderia ser ainda melhor se o foco fosse apenas a investigação do desaparecimento, como todo bom romance policial, mas isso pouco importa quando a união de várias personagens agradáveis é suficiente para querer cada vez mais.

Pena que experiências anteriores deixaram claro que o melhor é esperar um tempo antes de ler o próximo volume da série. Caso contrário, a decepção pode ser imediata.

“O cheiro de carne queimada e gasolina embrulhava meu estômago. Eu podia imaginar os gritos, as súplicas, o riscar do fósforo, o barulho da explosão. Conklin perguntou se eu estava bem e respondi que sim, embora não conseguisse pensar em nada além do horror que ocorrera naquela garagem algumas horas antes. Um horror que eu julgava ser possível apenas no inferno” (pág. 166).

2 Comentários

  1. Olá Ricardo,

    Assim como você gosto demais dos livros do autor, esse está na minha lista de desejados e sua resenha me deixou bem curioso, pois vejo que mudou um pouco em relação aos anteriores, mas concordo com você, temos que ler e dar um tempo...kk..abraço.

    devoradordeletras.blogspot.com.br

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  2. Olá Ricardo!
    Não conhecia esta série. Até me interessei um pouco, mas os policiais não me atraem tanto assim. E pelo seus comentário, esse autor parece seguir a mesma fórmula quase sempre, acho que isso é um ponto ruim para um autor. É como se jogasse na "safezone", ao invés de tentar algo diferente e que também nunca vez.
    Beijos!

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