Olá, pessoal.
Vamos continuar com o nosso projeto de trazer ideias para vocês começarem a escrever as suas obras. Na primeira parte (A Oficina 10) eu passei métodos de organização e na última (A Oficina 11) dei dicas sobre como usar a vida de vocês ou de outras pessoas para escreverem suas narrativas. Se não leu, recomendo a leitura.

Leitura em dia? Ok. Então vamos em frente.

Em primeiro lugar, quero tranquilizar o leitor que estiver pensando “isso não é plágio?” pelo seguinte fato: você não vai escrever a narrativa de um garoto chamado Harry, que mora na Inglaterra e descobre que é um bruxo. Você vai contar a sua narrativa se apoiando no que tiver lido. E se ainda tiver dúvidas, veja as descrições de Gandalf (A Sociedade do Anel) e Dumbledore (A Ordem da Fênix). A semelhança não é coincidência.
Você NUNCA notou como eles são parecidos?
Como já disse na parte 2, é preciso fazer enxertos na narrativa na qual vai se apoiar para a sua obra ter personalidade e diferencial. Sem contar que ninguém é obrigado a fazer algo 100% igual (porque aí sim será plágio!).

Então quando trabalhamos com histórias já criadas, é sempre bom cruzar mais de uma, pois quanto mais coisas você mesclar, mais seu trabalho ficará diferente do original e mais você poderá fazer referência aos títulos que gosta (ou odeia).
Eragon: um Star Wars na Terra Média?
E nesse processo, vale tudo: misture livros com roteiros de filmes, jogos, seriados, desenhos, mangás, animes, novelas ou até a história real (se não prestou atenção nas aulas de História, procure bons livros/sites/revistas). Esse tipo de processo criativo é como personalizar um carro: você tem a obra original. Mas trocando o para-choque, os aros, pintando com rajadas de fogo e colocando bancos de couro, você não tem mais o mesmo modelo que tinha antes, certo? Com narrativas, é a mesma coisa.

Gostou da ideia? Então vamos para um passo a passo:
  1. Pegue uma história (conto, crônica, romance, roteiro de filme/jogo/desenho, etc.) e tire dela algo que gostou ou que odiou;
  2. Pegue outra narrativa e repita o processo;
  3. Quando tiver uma lista que achar suficiente, procure conectar os pontos: o personagem principal ficou rico achando um tesouro em uma ilha como em “O Conde de Monte Cristo”? Ele usou essa fortuna para formar seu exército e ser venerado como um deus, tal qual Xerxes? Ao conquistar o mundo, ele conheceu um garoto que fez lembrar-se da simplicidade da vida, tal qual vemos em “O Pequeno Príncipe”?
  4. Caso tenha listado algo e não veja ponto de conexão, retire;
  5. Faça um resumo da obra como um todo e aceite que essa lista não será definitiva: no item 3, o nosso protagonista pode criar uma ideologia para ganhar adeptos assim como Hitler. A pessoa que o fará ver a simplicidade da vida pode ser alguém por quem ele se apaixone, etc.
  6. Divida os capítulos e comece a escrever.
Como não gosto de ensinar coisas sem dar exemplos, vamos colocar a mão na massa.

A seguir, vou listar algumas narrativas e dizer o que gosto nelas ou não.
  • Harry Potter: fama de ser “o escolhido”;
  • Artemis Fowl: inteligente, mas não luta;
  • Eragon: adoro o conceito da espada Brisingr;
  • O Senhor dos Anéis: humanos sempre se apaixonam por elfas (e elfas são sempre lindas e irresistíveis);
  • Naruto / Bleach: muitos personagens e poucos momentos para todos brilharem.
Em todas essas narrativas: temos homens como protagonistas.

Então vamos ver o que encontro nas que tem personagens femininas como principais...
  • Séries Divergente, Crepúsculo, Crônicas dos Kane ou Jogos Vorazes: a importância da mulher arrumar namorado.
Pronto. Agora vou conectar os pontos:
A ilha de Queirós, no reino fantástico de Ogamaras, seria constantemente atacada por tritões se não fosse pela brava marinha, que patrulha os portos e acompanha pescadores.
Tudo ia bem até o rei, Paul Rabbit, decretar um corte salarial dos marinheiros para repor gastos da ilha em reformas necessárias por conta de uma tempestade e os soldados fazerem greve. E para se sustentar, os pescadores iam trabalhar sem segurança. E foi em uma dessas viagens que os pais de Clarice Liz foram mortos.
Com o vizinho como responsável, o elfo Gregor Mattos, a jovem vai realizar uma viagem pelo mundo para aprender a lutar e montar táticas de guerra para aniquilar as criaturas que fazem o seu povo sofrer. Durante sua jornada, conhece o minotauro “guerreiro-ferreiro” Joaquim Assys, especialista em fabricar machados elementais. Ele não só treina Clarice como a presenteia como uma machadinha flamejante e ainda se prontifica a ajudá-la em sua missão. Tudo em troca do pagamento oferecido por Mattos.
Clarice voltará para o seu reino e fará de tudo para se tornar uma marinheira. Ela não se importa se os nativos acham que ela será incapaz de realizar o seu sonho e se irrita cada vez mais com o cuidado que Gregor tem com ela. A garota, agora uma mulher, só quer uma coisa: vingança.
Como podem ver, Clarice não é uma escolhida para combater o mal. Ela é que se considera apta a dizimá-lo.

Além disso, a protagonista será inteligente, lutadora, usará uma arma elemental, viverá com dois aliados (um mercenário e um tutor que vai se apaixonar por ela e ela vai ignorar, visto que seu foco é outro) e lidará com o preconceito.

Pronto! Já temos uma narrativa.

Viram como é fácil?

Então é a vez de vocês: escolham suas narrativas, digam o que gostam ou não, escrevam em uma folha, vejam qual fato leva a outro e cortem o que for desnecessário. Passem a limpo e comecem a escrever. E não esqueçam: estudem, planejem, escrevam e reescrevam.

Abraços a todos e continuem escrevendo!

Nota: quem acertar os nomes de todos os escritores que usei para nomear os personagens e locais no resumo será usado como personagem da minha próxima postagem. Poste a resposta nos comentários!

Sobre o Autor
Davi Paiva da Silva nasceu em 22/03/1987, em São Paulo – SP. Está cursando Letras na UNICSUL, publicou o texto "18 anos sem Ayrton Senna" no site minilua.com, além de um microconto com a hastag #tweetcontos no twitter DaviTweetcontos e colabora com artigos no blog espadaarcoemachado.wordpress.com. No mundo impresso, participou das antologias de contos Corações Entrelaçados, Névoa, Quimera, Sopa de Letras, Amores (Im)Possíveis, Mentes Inquietas e Livre Para Voar todas da Andross Editora.
Contato: davi_paiv@hotmail.com.

2 Comentários

  1. Olá Davi!
    Eu simplesmente adoro os seus artigos, sempre esclarecendo algo.
    Eu me uso muito disso que falou hoje, referências. Claro que eu vou mesclando elas com outras e também com as minhas próprias ideias, assim acaba nascendo algo original.
    Quanto os autores, eles são Eça de Queirós (talvez até a Rachel de Queiroz), Paulo Coelho, Clarice Lispector, Gregório de Matos e Machado de Assis. =D
    Beijos!

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  2. Ah, e Ogamaras é referência do José Saramago! :3
    Tava matutando aqui e lembrei.

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