Há um ano o Brasil chorava a morte de Ariano Suassuna. Não apenas pelo homem que encerrou a sua missão, mas pelo fato de a Cultura brasileira, especialmente a nordestina, ter ficado mais pobre. Afinal, quem estava nos deixando era o criador de Chicó, João Grillo, Tirateima, Quaderna e tantos outros. Quem estava nos deixando era um Imortal da Literatura.

Filho do então governador (na época chamado de presidente) paraibano, Ariano Vilar Suassuna nasceu no dia 16 de junho de 1927 na cidade de Nossa Senhora das Neves, atual João Pessoa, mas ainda nos primeiros meses de vida se mudou com a família para o sertão. Poucos anos depois, seu pai foi assassinado por motivos políticos e a família novamente se mudou, dessa vez para a cidade de Taperoá.

Em Taperoá, cidade que ficaria conhecida por ser cenário da principal obra de Suassuna, o futuro escritor iniciou seus estudos e teve o primeiro contato com produções artísticas, marcantes para a sua infância, que contribuíram em seus futuros trabalhos.

No entanto, antes de sua primeira obra, passou a viver no Recife, onde concluiu os estudos secundários e logo na sequência iniciou a Faculdade de Direito. Pouco tempo depois ele já estava escrevendo sua primeira peça teatral, “Uma mulher vestida de Sol” (1947), que apenas iniciou uma fase muito produtiva de sua vida, resultando em mais de dez trabalhos, entre teatro, romance e poemas, até o fim da década de 50.

O reconhecimento do trabalho de Ariano Suassuna aconteceu ainda com as obras concluídas ao longo desse período. Afinal, entre os trabalhos estavam “Auto de João da Cruz” (1950), com o qual recebeu o Prêmio Martins Pena, e “Auto da Compadecida” (1955), o texto que se tornaria o mais importante de sua obra e que foi o responsável por torná-lo conhecido nos quatro cantos do país.

Poucos anos mais tarde, o crítico teatral Sábato Magaldi classificaria “Auto da Compadecida” como “o texto mais popular do moderno teatro brasileiro”, no entanto outros trabalhos de Suassuna foram reconhecidos pela crítica e com importantes prêmios. Foi o caso de “A Pena e a Lei” (1959), premiado no Festival Latino-Americano de Teatro em 1969.

Antes disso o dramaturgo também se dedicou ao texto em prosa, publicando o seu primeiro romance, intitulado “A História de Amor de Fernando e Isaura”, em 1956. Seus dois próximos romances seriam publicados apenas na década de 70, entre eles “O Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta” (1971).

Ainda no início da década de 60, no auge da carreira como dramaturno, Ariano Suassuna decidiu trabalhar como professor de Estética na Universidade Federal de Pernambuco, interrompendo assim a sua carreira no meio literário/teatral. Mas isso não o impediu de permanecer atuando em atividades culturais, tanto que, entre outras coisas, iniciou um movimento para desenvolver formas de expressões populares.

Sua carreira acadêmica durou até a sua aposentadoria, em 1994, mas antes disso, em 1989, foi eleito para ocupar a cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras. Posteriormente se tornou também membro da Academia Pernambucana de Letras e da Academia Paraibana de Letras, provando que a sua importância literária ainda seria muito reconhecida até o fim de sua vida.

É possível dizer que tal reconhecimento se tornou ainda mais evidente após as adaptações de algumas de suas obras para a televisão e o cinema, como o filme “Uma Mulher Vestida de Sol”, lançado em 1994. Outro grande sucesso baseado na obra de Suassuna foi “O Auto da Compadecida”, lançada como minissérie e posteriormente como filme em 1999 e 2000, respectivamente. Mais recentemente foi a vez de seu mais importante romance ser adaptado na minissérie “A Pedra do Reino”, produzida em 2007, pela Rede Globo, para celebrar os oitenta anos do escritor.

Ariano Suassuna soube, como poucos, levar a cultura nordestina para todos os cantos do país, por isso que sua morte, ocorrida em 23 de julho de 2014, poucos dias após sofrer um AVC, representou uma perda cultural enorme para todo o povo brasileiro. Porém, o fim de sua vida não representou também o fim de sua importância, já que como um Imortal da Literatura, Ariano Suassuna jamais será esquecido.

Para o Brasil, ele sempre será um dos maiores de todos os tempos.

“Não me preocupo muito em ter ou não uma posição como artista. Literatura para mim não é mercado. É a minha festa, é onde eu me realizo. Digo sempre: arte é missão, vocação e festa. Não me venham com essa história de mercado” — Ariano Suassuna.
Ariano Suassuna - ☆ 16/06/1927 - ✞ 23/07/2014

2 Comentários

  1. Olá
    sem duvidas Ariano é um grande home, eu vi todo uma entrevista feita com ele, e você bola de rir com as coisas que ele fala, pena que ele partiste :(
    Bjks
    Passa Lá - http://ospapa-livros.blogspot.com.br/

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  2. Olá Ricardo!
    Eu fiquei um bocado triste quando vi a notícia da morte dele no ano passado. Eu ainda lembro que ele tinha terminado o livro da vida dele apenas uns dias antes. Aquilo me tocou de uma forma.
    Ele não morreu, ele só ficou para a eternidade! =D
    Beijos!

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