Bizarro Fiction (Ficção Bizarra) é um gênero literário contemporâneo, que muitas vezes utiliza elementos de absurdo, sátira e do grotesco, junto com pop-surrealismo, a fim de criar trabalhos subversivos, estranhos, e divertidos. O termo foi adotado em 2005 pelas editoras independentes Eraserhead Press, Raw Dog Screaming Press e Afterbirth Books. Grande parte da sua comunidade gira em torno de Eraserhead Press, que tem sede em Portland, Oregon, nos Estados Unidos. A Eraserhead organiza uma feira sobre o tema, a BizarroCon, desde 2008. Essa mesma editora produziu também um guia para neófitos do gênero, o Bizarro Starter Kit (Guia do Iniciante em Ficção Bizarra). Na introdução desse guia há uma descrição do gênero: "literatura do equivalente a seção Cult na loja de vídeo" e um gênero que "se esforça não só para ser estranho, mas fascinante, instigante e, acima de tudo, divertido de ler." Uma das premissas do gênero é que ele traga para literatura aquele senso de estranheza que temos ao assistir filmes de diretores como Cronenberg, David Lynch (conheça a página de Lynch no Artsy clicando aqui), Takashi Miike, Tim Burton, e Lloyd Kaufman. De acordo com Rose O'Keefe da Eraserhead Press: "Basicamente, se um público tira sarro de um livro ou filme, principalmente devido à sua estranheza, então é Bizarro. Estranheza pode não ser só a qualidade atraente do trabalho, mas é a maior delas ".

Em geral, Bizarro tem mais em comum com os gêneros ficção especulativa (como ficção científica, fantasia e horror) do que com movimentos de vanguarda (como o dadaísmo e o surrealismo), que os leitores e críticos frequentemente associam enquanto o gênero pode colocar uma ênfase no cult, não é sem elogios da crítica. Livros de autores que identificaram ou foram identificadas como Bizarro tem sido elogiados por Lloyd Kaufman, Michael Moorcock e guardian.co.uk.

No último prêmio Bram Stocker, duas autoras de Bizarro Fiction levaram estatuetas para casa: Maria Alexander e Lucy Snyder. O prêmio é oferecido pela Horror Writers Association, uma organização a nível mundial de escritores do gênero do terror, criada no início da década de 80 com a ajuda de grandes nomes do ramo, nomeadamente Joe Lansdale, Robert McCammon e Dean Koontz. Atualmente a HWA tem membros em diversos continentes, desde Estados Unidos, Canadá, América do Sul, Central, Europa e Austrália. Os prêmios Bram Stoker premiam o gênero do terror desde 1988. Em 2015 as autoras de Bizarro ganharam os seguintes prêmios:
  • Superior Achievement in a Fiction Collection (Contos): Lucy A. Snyder – Soft Apocalypses (Raw Dog Screaming Press).
  • Superior Achievement in a First Novel (Romance revelação): Maria Alexander – Mr. Wicker (Raw Dog Screaming Press).

Livros do gênero já foram finalistas dos prestigiados Prêmio Philip K. Dick e do Prêmio Rhysling.

Agora que você conhece as premissas do gênero, vejamos algumas sinopses que irão fazer você entender como funciona essa bizarrice:

Cursed - Damien G. Walter indica esse livro de Jeremy Shipp como uma boa introdução ao gênero. Nele personagens perturbadas acreditam que coisas prosaicas como não tomar um tapa todos os dias ou deixar uma bola de tênis cair podem acabar com a existência como a conhecemos. O livro narra como essas personagens buscam alívio umas nas outras.

Shatnerquake - No livro de Jeff Burk todas as personagens criadas na carreira do ator William Shatner se materializam em nossa realidade com uma missão específica: matar William Shatner! Imagine William Shatner contra o Capitão Kirk, TJ Hooker, Denny Crane, o Shatner de Emergência 911, O Shatner Cantor, o Shatner Shakespereano, o Shatner de Além da Imaginação, o Kirk do Cartoon Network, o Shatner Esperanto, etc.
Sweet Story - Veja a sinopse do último livro de Carlon Mellick III: Sally é uma menina estranha. Não porque ela se veste como se ela fosse da era eduardiana ou passa a maior parte de seu tempo brincando com bonecas falantes assustadoras. É porque ela persegue o arco-íris, como se fossem borboletas. Ela acredita que, se ela achar o fim do arco-íris, em seguida, coisas mágicas acontecerão, duendes irão lhe trazer baldes de moedas de ouro e fadas irão conceder-lhe todos os seus desejos. Mas quando ela realmente consegue encontrar o fim de um arco-íris, um dia, e é dada a oportunidade para ela desejar que quiser, Sally pede algo que acredita irá trazer alegria às crianças de todo o mundo. Ela deseja que deveria chover doces para sempre. Ela não tinha ideia de que seu desejo inocente levaria à extinção de toda a vida na Terra.

Doce história é um livro infantil horrivelmente errado. O que começa como um conto encantadoramente bonito do arco-íris logo se torna um conto cruel, implacável, de sobrevivência em um mundo inóspito cheio de canibais e estupradores. O resultado é uma das mais sombrias comédias que você não imaginava ler.

Quer saber mais:

Sobre o Autor
Mauricio R B Campos nasceu em São Paulo, em 1977. Com formação em Administração, trabalha no mercado financeiro. É casado e está radicado em São Carlos (SP) desde 2008.
Publicou contos em diversas antologias, dos mais variados gêneros literários, tanto em formato tradicional quanto e-book, das editoras Komedi, Andross, Aped, Ixtlan, Illuminare, Multifoco, Navras Digital, Babelcube Inc., Darda e Buriti.
Como roteirista participará da antologia de HQ "O Rei de Amarelo em Quadrinhos".
Mantém um Website, uma conta no Twitter, Facebook e mais outras tantas redes sociais que não dá conta de verificar, atualizar, postar e compartilhar.

5 Comentários

  1. Eu não conhecia esse gênero, mas nossa! Que incrível!
    Eu amo coisas bizarras, ainda mais se envolvem horror então já to morrendo de vontade de ler Sweet Story e com certeza vou procurar outros livros do gênero agora.
    Fiquei realmente curiosa, e adorei o post!

    Unicórnios Psicodélicos

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  2. Não conhecia este gênero, mas quando comecei a ler a descrição dele pensei de cara no Tim Burton.
    Com certeza é um gênero que deve ser bem divertido de se ler. Eu gosto de uma coisa totalmente fora do padrão de vez em quando.
    Eu simplesmente amei essa sinopse de Shatnerquake. Os personagens vêm matar o escritor. Amei!
    Beijos!

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    1. A ideia do Shatnerquake é muito legal, fico até me perguntando o quanto é diferente a cultura americana da nossa. Se fosse aqui, a celebridade já teria impedido a venda do livro. Quem sabe alguma editora se habilita a traduzir.

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  3. Bom dia,

    Não conhecia o gênero, mas gostei demais do que li e fiquei super curioso, espero ler um dia.....belo post....abraço.

    devoradordeletras.blogspot.com.br

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    1. Abraço Marco, cabe agora às editoras brasileiras lançarem o melhor do gênero traduzido para nosso idioma.

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