Matar Alguém, Roger Franchini, 1ª edição, São Paulo-SP: Planeta, 2014, 368 páginas.
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Em uma madrugada chuvosa, o plantão dos policiais Maurício e Rodrigo tinha tudo para ser tranquilo, mas eles se deparam com a morte de um fotógrafo e, em meio a investigação, descobrem um pen drive que contém gravações suspeitas de várias ligações do secretário de Segurança do Estado de São Paulo.

Ao mesmo tempo em que tentam descobrir o motivo de um fotógrafo ter grampeado um secretário do governo estadual, Maurício e Rodrigo precisam encontrar a relação disso com uma série de assassinatos de policiais militares, cometidos por membros do Primeiro Comando da Capital (PCC). E a investigação vai levá-los a uma conspiração inimaginável.

“Mesmo não sentindo o mínimo de respeito pelos policiais militares, Maurício compartilhava com eles a vontade de eliminar todos os vagabundos incorrigíveis do mundo. Só era preciso tomar cuidado, pois algumas pessoas cometiam crimes, mas não eram bandidos” (pág. 148).
Como fã de romances policiais, todos os livros do gênero conquistam a minha atenção e isso, infelizmente, algumas vezes acaba não sendo tão bom. Os motivos podem variar, mas quase sempre o que incomoda é a ausência de um cuidado que, ao meu ver, é essencial para uma obra do gênero. Roger Franchini pode ter acertado na elaboração dos detalhes, porém Matar Alguém está longe de ser o livro que imaginei em um primeiro momento.

Antes de qualquer outro comentário, vale ressaltar que a diagramação da obra possibilita uma leitura extremamente rápida, o que se intensifica também com a própria linguagem simples utilizada pelo autor. No entanto, o início confuso acabou dificultando o meu envolvimento com a história, assim como a demora em revelar um enredo consistente. Embora em dado momento passe a ser interessante, ainda considerei aquém do imaginado.

Dá para afirmar, sem a menor dúvida, que a sinopse me deixou preparado para um livro diferente de tudo o que havia lido até hoje. Foi exatamente por isso que a primeira imagem de Matar Alguém foi a de um livro diferenciado, que teria as ruas de São Paulo como cenário, a polícia como protagonista, mas que se destacaria principalmente pela possível conspiração retratada em suas páginas. Isso tudo acontece, porém sem proporcionar qualquer tipo de envolvimento.

Os detalhes da conspiração até devem ser levados em consideração, em especial por ser algo que muito provavelmente não fica longe da realidade. Ao perceber que o autor explorou cada mínimo detalhe da vida de um policial, fica claro o quanto sua experiência como investigador contribuiu para a construção do enredo e das personagens. Ele sabe o que está falando, mas… isso nem sempre é suficiente.

Se isso acontece é pela falta de um detalhe capaz de conduzir e interligar toda a investigação, também dando um sentido a tudo. No fim, as personagens passam grande parte do livro tentando evitar crimes, enquanto poucas situações chegam a uma solução, o que definitivamente não deveria acontecer em um livro que se espera soluções e intrigas a cada nova página.

Mas, em compensação, Matar Alguém tem muita tensão e uma disputa de interesses que envolve mais do que apenas política. É bem verdade que o grande número de personagens impede uma identificação ou até mesmo torcida para determinado desfecho, mas no geral tem uma premissa interessante e isso que deve ser ressaltado. Afinal, a ideia funcionou muito melhor do que a execução.

“Por que não aceitar aquela paz como algo definitivo para sua vida? Queria descobrir o que fazer para que tudo retornasse ao que era antes, no exato momento em que poderia escolher entre ser parte de matanças de policiais ou acordar todos os dias ao lado de Alice, o cheiro de café pela casa nas manhãs, voltar a estudar e arrumar um emprego melhor. Pensar em filhos” (pág. 266).

2 Comentários

  1. Olá Ricardo!
    Não conhecia este livro e também nunca li nada do gênero policial. Até gosto de investigação, mas eu teria que ler para saber se o tema me agrada mesmo.
    O livro parece ser uma boa leitura pelo fato de se passar em São Paulo. Mas concordo com você que é mais legal ver a ação acontecer do que ver personagem tentando evitar coisas.
    Beijos!

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  2. Li alguns capítulos desse livro e pensei a mesma coisa durante a leitura. Tinha um potencial para ser uma história ótima mas deixou a sensação de que ficou faltando algo. Realmente, o início é bem confuso.
    P.S. - Bacana conhecer alguém que também é fã da literatura policial, acompanharei o blog mais de perto. Abraços

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