Uma Longa Jornada, Nicholas Sparks, tradução de Maria Clara de Biase, 1ª edição, São Paulo-SP:
Arqueiro, 2015, 368 páginas.
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Ira Levinson é um solitário senhor de 91 anos, veterano da guerra, que sofre um grave acidente de carro e, enquanto espera por ajuda, se depara com a imagem da sua esposa Ruth, falecida há nove anos. Embora saiba que isso não passa de uma ilusão, Ira encontra na imagem da esposa a força necessária para sobreviver e se aproveita da espera para relembrar os bons momentos vividos ao lado de seu grande amor.

Perto dali, Sophia acompanha sua colega de quarto em um rodeio e, para sua infelicidade, é assediada por seu ex-namorado, iniciando uma confusão que só termina quando o caubói Luke surge para ajudá-la. A ajuda se transforma em algo muito maior e Sophia logo percebe como Luke é diferente dos homens de seu convívio. Mais do que isso, percebe que ele é o único capaz de fazê-la mudar todos os seus planos para o futuro. Isso se os planos dele não colocarem tudo a perder.

“O ar noturno estava se tornando mais claro, dando às estrelas um brilho cristalino. Luke olhou para elas e depois para Sophia. Quando ela começou a acariciar gentilmente a mão dele com o polegar, Luke retribuiu da mesma maneira. Naquele instante, teve certeza de que já estava se apaixonando por ela e não havia nada no mundo que pudesse impedi-lo” (pág. 137).
De todos os livros de Nicholas Sparks, Uma Longa Jornada foi o primeiro a aparentar seguir uma estrutura completamente diferente dos demais. Como se sabe, seus livros costumam ser tão semelhantes que chegam a ser totalmente previsíveis, por isso que a possibilidade de ser diferente me deixou animado para conhecer uma história que tinha tudo para ser única.

Não posso dizer que o mais recente trabalho de Sparks me decepcionou, porque isso definitivamente não aconteceu, no entanto é preciso reconhecer que, ao esperar uma inovação, consequentemente esperava também uma história diferente. No mínimo que surpreendesse por seu desfecho, mas, como de costume, foi possível ter a certeza de como as histórias das três personagens principais se interligariam.

Embora com muita antecedência pudesse afirmar qual seria essa ligação, o autor mais uma vez soube como trabalhar o seu desfecho para que mesmo na previsibilidade conseguisse encantar. Ele acaba deixando de contar apenas uma história romântica e passa a narrar situações que provam como o destino é capaz de mudar nossas vidas com um simples encontro ou um simples gesto. Poderia ser apenas mais uma mensagem clichê se não funcionasse tão bem no contexto de toda a história.

Mas antes que isso tudo aconteça, ou seja, antes de tudo se interligar, foi prazeroso conhecer três histórias tão diferentes e com formas bem distintas de prender a atenção. Se Ira tem um modo muito particular de relembrar as décadas vividas ao lado de sua falecida esposa, em uma verdadeira e longa jornada, Sophia ainda está se recuperando do fim de um relacionamento e Luke enfrentando dificuldades que o influenciam a tomar decisões visando um bem maior.

Como citado, os encontros proporcionados pelo destino fazem toda a diferença, visto que são esses encontros que mudam o interior de cada personagem, reafirmando a certeza de que toda boa história, independente de ser real ou não, tem algo de especial para ser transmitido. Nicholas Sparks pode até ter repetido tudo exatamente da maneira que estamos acostumados em suas obras, porém em determinado momento conseguiu me tocar como em poucas de suas histórias — embora goste igualmente de todas elas.

Seria impossível não me tornar repetitivo após tantas leituras e resenhas, e também não preciso repetir mais uma vez o quanto aprecio o trabalho do escritor. Contudo, posso dizer que Uma Longa Jornada, narrado em primeira e terceira pessoa, cumpre o papel de toda história de amor. Talvez ainda demore para Sparks me conquistar tanto quanto ocorreu ainda na primeira leitura, há quatro anos, mas jamais vou me arriscar a ignorar algum livro daquele que me incentivou a escrever histórias de amor e que me mostrou o quanto elas podem ser mais do que apenas isso.

“A guerra tinha me tirado a única coisa que Ruth quisera. Eu ficava triste por ela e com raiva de mim mesmo e odiava o que estava acontecendo conosco. Teria dado minha vida para fazê-la feliz de novo, mas não sabia como. Ouvindo o som dos grilos nas noites quentes de outono, eu levava as mãos ao rosto e chorava sem parar” (pág. 243).

4 Comentários

  1. Olá
    Eu achei que esse livro foi uma boa leitura, mais não cheguei a gostar tanto desse livro e adorei ler sobre o passado de Ira, tão romântico.
    Que bom que curtiu a leitura e achou esse um pouco diferente.

    momentocrivelli.blogspot.com.br

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  2. Olá Ricardo!
    Mais um livro do Sparks. Eu nunca li nada dele, até por conta de ser tudo muito previsível como você mesmo disse. Se quiser um romance, eu prefiro ver um dorama.
    Mas a premissa desse livro parece legal, ainda mais a parte do velhinho.
    Beijos!

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  3. Oi Ricardo, cometi o pecado de assistir o filme antes de ler o livro, e adorei a história, o que me fez pensar, porque eu não li antes! hahaha Mas acho que ainda vou dar uma chance, por que gostei de verdade das duas histórias do romance.

    Beeijo, Paola
    uma-leitora.blogspot.com.br

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  4. Olá Ricardo,

    Esse livro está na minha lista de desejados e concordo por você, o autor apesar de ser mais do mesmo consegue sempre criar uma história tocante...abraço.

    www.devoradordeletras.blogspot.com.br

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