O Álbum, Timothy Lewis, tradução de Ana Paula Corradini, 1ª edição, Ribeirão Preto-SP:
Novo Conceito, 2015, 240 páginas.
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Adam é apenas um negociante de objetos usados que tem a missão de esvaziar e vender a residência dos Alexanders, mas ao se deparar com um álbum antigo com cartões-postais, escritos ao longo de sessenta anos, ele percebe que as frases românticas são provas de um amor incondicional e exemplar entre Gabe e Pearl Alexander.

Ao conhecer a história entre o casal, Adam descobre que durante seis décadas, Gabe se esforçou para enviar um cartão todas as sextas-feiras para a sua amada. Além dos poemas de amor, os cartões representavam algum momento importante do cotidiano, o que para Adam pode responder as perguntas que carrega sobre a sua própria vida.

“Eu nunca havia duvidado do nosso amor, nem enxergado uma vida sem ela. Além daquilo que não tinha conserto mesmo, onde foi que erramos? O que poderíamos ter feito para evitar esse desastre? Quanto mais eu me debruçava sobre os cartões-postais dos Alexanders, mais ficava pensando se um dia seria capaz de amar outra mulher. Pior ainda: depois de fracassar no meu casamento, será que eu merecia uma segunda chance?” (pág. 09).
A principal conclusão que cheguei após a leitura de O Álbum é que existem três tipos de pessoas: aquelas que desacreditam totalmente no amor; as que são eternas apaixonadas; e as pessoas que amam, mas que por algum motivo se entregaram ao pessimismo. Infelizmente é preciso mais do que um livro para mudar o primeiro tipo, no entanto os demais se encaixam perfeitamente nessa obra, como se ela tivesse sido escrita por um motivo muito especial.

Digo isso pois o trabalho de Timothy Lewis é de uma sensibilidade tocante e incomum. Embora tenha uma história muito simples, às vezes até lenta, o livro é capaz de plantar uma semente de esperança para que no futuro, se regada com esmero, possa gerar frutos que simbolizem a felicidade. E, se o autor conseguiu deixar essa sensação, se deve principalmente pela inspiração ao seu enredo: os cartões-postais trocados por seus tios-avôs durante seis décadas.

Em uma sociedade em que as pessoas têm cada vez menos tempo — ou vontade — de valorizar as coisas simples, imaginar um homem apaixonado que incansavelmente, toda sexta-feira, durante sessenta anos, envia um cartão-postal para a mulher amada pode ser utópico. Mas prefiro pensar que muitas dessas pessoas apenas não estão preparadas para encarar esse sentimento capaz de nos transformar completamente. Muitas dessas pessoas precisam conhecer os Alexanders.

Desde o início fica claro que para Adam, o negociante de objetos usados, encontrar os cartões-postais dos Alexanders é o mesmo que encontrar um caminho que o leve até as respostas sobre o fim de seu casamento. Se ele representa uma situação que provavelmente muitos já passaram, estando no time dos pessimistas, o casal representa o ideal de um relacionamento e consequentemente está do lado dos eternos apaixonados.

E o casal foi responsável por tocar o meu coração ao mostrar a singularidade dos sentimentos. Mesmo em cenas em que isso teoricamente não era possível, Gabe e Pearl se entregam um ao outro de uma forma pura e sincera, estando aí o grande diferencial de O Álbum se comparado com qualquer livro do gênero. É possível perceber os verdadeiros sentimentos nos diálogos, nas preocupações, declarações e, claro, nos cartões-postais.

Embora o livro seja dividido em três épocas distintas, os cartões-postais — apresentados no início dos capítulos sobre os Alexanders — acabam sendo importantíssimos em todas elas. Como são narradas paralelamente, aos poucos os poemas escritos por Gabe em outrora moldam a personalidade de Adam, ao mesmo tempo em que definem o fim da vida de Pearl. E vale lembrar que cada poema possui um significado muito grande, sendo capaz de influenciar o destino de cada personagem.

Talvez seja possível dizer que essa influência seja o que existe de mais belo em O Álbum. Ou posso ir mais além ao dizer que Timothy Lewis consegue mexer com os dois tipos de pessoas citadas anteriormente, provando porque afirmei que foi escrito por um motivo especial. Esse motivo é muito simples: aos apaixonados, serve para reforçar o amor que sentem por suas almas gêmeas; aos que amam, mas são dominados pelo pessimismo, fazê-los voltar a ter esperança no que de mais lindo podem sentir em suas vidas.

“Então minha nova pergunta era a seguinte: como eu tinha me perdido na primeira jornada, seria ainda possível fazer minha jornada até o topo da montanha com outro alguém? Ou eu estava destinado a percorrer o caminho solitário das planícies, assombrado por um único par de pegadas…
As minhas?” (pág. 153).

Um Comentário

  1. Olá Ricardo!
    Nem conhecia este livro, mas adorei saber mais sobre ele. Eu me acho um bocado romântica e com certeza gostaria deste livro.
    Beijos!

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