Para onde vai o amor?, Carpinejar, 1ª edição, Rio de Janeiro-RJ: Bertrand Brasil, 2015, 176 páginas.
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Caro leitor, antes de iniciar a leitura do livro Para onde vai o amor? é preciso ter consciência de que você não será a mesma pessoa ao fechá-lo pela última vez. Isso se não passar algumas horas seguidas lendo e refletindo sobre tudo que é tratado por Fabrício Carpinejar em sua coletânea de crônicas de fossa, pois sendo um livro de sensibilidade extraordinária, largá-lo acaba sendo uma missão muito complicada.

Entre as piores sensações que podemos conviver em nossas vidas, a separação é de longe uma das mais dolorosas. É bem verdade que ela pode ocorrer de diversas formas e acontecer nos piores momentos possíveis, nem sempre com a necessidade de existir um culpado, mas, quando uma parte de nós nos deixa, é preciso saber conviver com a sua ausência. O que não é nada fácil!

Só quem passou por isso sabe como é horrível acordar e logo perceber que o fim de um relacionamento não era apenas o pior dos seus pesadelos. Essa é basicamente a temática do novo trabalho de Carpinejar, que mesmo deixando claro que não resolverá nenhum mistério da condição humana, propõe reflexões extremamente positivas para quem se pergunta para onde vai o amor quando esse vira suas costas, bate a porta na sua cara e parte sem nem mesmo dizer adeus.

No geral, tais reflexões caminham sempre para o mesmo destino: a comprovação de que o amor sempre prevalece. Aquela pessoa que você tanto ama pode até te machucar, te derrubar e não estender a mão para te ajudar a se levantar, mas o amor verdadeiro, aquele que aquece o seu coração, não se apagará facilmente. Ele será alimentado dia após dia pela esperança de uma reconciliação, ainda que todos insistam em dizer que não vale a pena, que a pessoa amada não merece seu amor, tampouco suas lágrimas.

E Para onde vai o amor? tem a grande ousadia de forçar a voz da emoção a falar muito mais alto, podendo inclusive ser responsável por alimentar o amor de todo coração despedaçado após uma decepção amorosa. Isso porque é possível perceber que o autor falou com o coração e, quando isso acontece, mesmo a mais fria das pessoas se sente tocada por palavras sinceras e que carregam uma carga emocional gigantesca.

De um modo muito particular, Carpinejar se utiliza de suas diversas crônicas, muitas delas profundas, para tratar as questões do coração como um verdadeiro especialista. E sendo o amor um sentimento de uma intensidade sem igual, obviamente que as crônicas não ficam atrás. Embora uma ou outra possa ser ignorada, como acontece em toda coletânea, todas elas são intensas. Todas são marcantes.

Fabrício Carpinejar pode falar de amor, ciúme, esperança, lágrimas, felicidade, separação ou reconciliação, mas em todos os assuntos ele é impecável. Para onde vai o amor? merece ser lido, relido e trelido. Se você está na fossa, pegue esse livro imediatamente; caso contrário, pegue esse livro da mesma forma. Tenho quase certeza de que você vai se sentir muito melhor, afinal, mesmo quando o seu amor por alguém é jogado no lixo, esse sentimento é capaz de grandes transformações.

Pois saiba que essa leitura também é capaz de transformações!

“Você não entendeu que eu lhe amei bonito.
E meu amor bonito não é meu, é seu. Não ficou comigo. O amor não é uma propriedade de quem sente, é uma transferência total para quem é amado. Assim como uma carta é de quem lê, não de quem mandou.
Espero que você não tenha jogado fora” (Pássaros com as asas de âncora — pág. 146).

2 Comentários

  1. Oi Ricardo! O Livro parece ser encantador, quando falar em romance pode me chamar, rsrs. Parece ser uma leitura tão agradável, o jeito que aborda os temas é leve. Relacionamento é algo complicado, aparece dúvidas, questionamentos e tantas coisas, é corajoso abordar esse tema que é tão banalizado hoje em dia.
    Adorei!

    Beijos, Paula Santos.
    http://leitoraneurotica.blogspot.com.br/

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  2. Oi Ricardo,
    Gosto muito do Carpinejar e do estilo dele, sempre que faço a pesquisa dos mais vendidos aqui da minha cidade ele é lembrado. Acho que o livro deve ser muito bom, mas eu preferiria ler ele em um momento mais feliz, para contrabalancear esta deprê. :) haha

    Beeijos, Paola
    uma-leitora.blogspot.com.br

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