Refúgio, Harlan Coben, tradução de Fabiano Morais, 1ª edição, São Paulo-SP:
Arqueiro, 2012, 224 páginas.
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Após a morte do pai e a internação da mãe em uma clínica de reabilitação, Mickey Bolitar se vê obrigado a morar com seu tio Myron, um ex-agente do FBI. Enquanto se esforça para conviver com o tio, de quem nunca gostou muito, e para se adaptar ao novo colégio, o jovem se envolve com a doce Ashley. Mas pouco tempo depois Ashley desaparece misteriosamente.

Não querendo perder outra pessoa importante de sua vida, Mickey passa a investigar o que aconteceu com Ashley, contando com a ajuda de seus novos e excêntricos amigos, Ema e Colherada. No entanto, uma vizinha lhe conta algo sem dar qualquer explicação: o pai de Mickey ainda está vivo. Quando os dois mistérios se cruzam, o jovem percebe que está muito envolvido e que precisa fazer algo caso queira salvar as pessoas que ama.

“Tornei a pensar em Dona Morcega me dizendo que meu pai ainda podia estar vivo. Talvez esse fosse o motivo de tudo, de encontrar Ashley, do careca do carro preto, da própria dona Morcega. Talvez eu fizesse essas coisas todas só por causa da chance, uma em um milhão, de que ela estivesse falando sério, de ser verdade” (pág. 107).
Embora considere Harlan Coben como um dos meus autores favoritos, mesmo sem ter lido ao menos metade de suas obras, o fato da série protagonizada por Mickey Bolitar ser destinada ao público adolescente criou a ideia de que seus livros seriam aquém daqueles protagonizados por Myron Bolitar. Isso não foi suficiente para criar algum tipo de receio, contudo não evitou também a falsa ideia de que o autor repetiria situações maçantes em obras escritas a esse público.

Se essa ideia surgiu é pelo fato de temporariamente ter me esquecido da genialidade do mestre das noites em claro. Um autor que em todos os seus livros surpreendeu a cada nova página dificilmente incluiria qualquer elemento maçante, mesmo ao escrever para leitores que até então não estavam acostumados aos seus trabalhos. Essa confirmação se dá pelo simples fato de Refúgio, o primeiro protagonizado por Mickey, não ficar devendo em nada em relação aos livros de seu tio ou mesmo aos livros independentes de Coben.

Com uma riqueza de detalhes que chego a considerar incomum, o livro apresenta ótimas sequências de ação, um mistério consistente e muito bem explorado, algumas intrigas que dão um brilho a mais ao enredo e, não menos importante, detalhes históricos que me pegaram de surpresa, por jamais ter imaginado me deparar com eles nessa história em especial. Obviamente que nada acontece com a mesma intensidade de outras histórias, mas isso não impede que Mickey se envolva em uma incrível aventura, deixando o leitor completamente preso à leitura.

Mas se Mickey ainda precisa jogar muito basquete para chegar ao nível de Myron, e não digo apenas em questões esportivas, ele ao menos tem a companhia de personagens interessantíssimas como Colherada e Ema. A amizade entre eles também não chega a ser incrível como a de Myron e Win, mas juntos todos eles se completam e geram cenas engraçadas, principalmente após os comentários hilários de Colherada. No fundo, juntos são alguns dos principais estereótipos encontrados em salas de aula e foram muito bem construídos para representar esses papéis.

E levando em consideração o fato de Refúgio ser narrado por um adolescente, sem que tenha motivos para reclamar dos exageros normalmente comuns, dá para dizer que Harlan Coben soube medir tudo da melhor forma possível. Ou seja, as confusões e dramas são incluídos apenas do modo necessário para se chegar o mais próximo da realidade possível, bem como os acertos e erros que cercam a vida do protagonista.

Por falar em exagero, estaria exagerando se dissesse que o primeiro livro de Mickey Bolitar é o melhor enredo já construído pelo autor, mas também seria exagero dizer o contrário. No geral, foi uma grata surpresa e pretendo ler a continuação em breve, estando desde já na torcida para também ser um bom livro e, mais do que isso, para que alguns mistérios que permaneceram ocultos sejam revelados e surpreendam.

“Não, não havia surpresa ali. Não mais. O que havia era raiva. Eu queria respostas. E ia consegui-las, custasse o que custasse. Não iria esperar até que o Sr. Cabeça Raspada com seu sotaque britânico entrasse em contato comigo. Ou que dona Morcega aparecesse voando e me desse outra pista cifrada. Eu não iria esperar nem mesmo até o dia seguinte” (pág. 124).

3 Comentários

  1. Olá Ricardo!
    Não conhecia este livro, mas ele parece ser legal.
    Eu só não curto muito essa pegada de mistérios. Mas eu ainda gosto de narradores adolescentes.
    Beijos!

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  2. Vejo muitos elogios com relação aos livros do Harlan, porém ainda não tive oportunidade de conhecer suas obras, espero ler em breve algum e me apaixonar por ele também

    Mil beijocas
    ⋙ ♥ Blog Livros com café

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  3. Olá Ricardo, tudo bem?
    Mistério?Suspense? Esse é um livro que realmente deve me agradar rsrs, gosto de livros assim Nunca li nada do Harlan Coben mas pretendo ler por que contém um gênero que eu gosto.
    Beijos ♥
    Paula Santos-http://leitoraneurotica.blogspot.com.br/

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