Prometo falhar, Pedro Chagas Freitas, 1ª edição, Ribeirão Preto-SP: Novo Conceito, 2015, 400 páginas.
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Prometo ser sincero e por essa promessa sou obrigado a dizer que você não é perfeito. Sim, eu sei que nada é perfeito, mas a sua imperfeição é diferente, pois você é capaz de encantar e ao mesmo tempo deixar alguém impaciente. Amor e ódio. Desejo e raiva. Um misto de emoções.

Sim, eu confesso, foi assim que aconteceu comigo. Tão logo o peguei em minhas mãos, folheei suas páginas e a leitura de alguns textos me garantiu que você seria simplesmente incrível. Engraçado e dramático. Isso mudou assim que me sentei pela primeira vez para lê-lo. Em pouco tempo já não o aguentava mais. Se tivesse coragem, o colocaria em um canto qualquer da estante e faria questão de me esquecer que um dia existiu. Não porque era ruim, mas por perceber que eu estava odiando te amar.

Acho que no fundo sempre soube que sou o mais perfeito exemplo de um masoquista. Sou do tipo que na tristeza coloca músicas depressivas em um loop eterno e não consegue esconder as lágrimas que ocasionalmente caem. Sou do tipo que ao ter o coração partido, como agora, pensa em mil e uma formas de implorar, de joelhos se necessário, que ela volte aos meus braços e dê uma última chance ao nosso amor, mesmo sabendo que não mudará a sua decisão e que isso me fará sofrer ainda mais. Sou do tipo que chora sem vergonha — e que se foda a história de que homem não chora! Sou do tipo que adora ter suas memórias tristes relembradas pelas páginas de um livro.

Sou do tipo…

Sim, eu sou do tipo que adora ter suas tristezas reforçadas por um livro qualquer. E você, meu caro… Ah, você é do tipo que consegue reforçar essas tristezas com maestria.

Não me entenda mal, por favor, você está longe de ser um livro qualquer, palavra de leitor, mas ao mesmo tempo é o tipo de livro do qual sempre me deixei levar por suas palavras. São apenas palavras de um colega das letras, eu sei, mas são palavras verdadeiras, que refletem exatamente o que eu estou sentindo. Ou que senti ontem. Ou que ainda vou sentir amanhã.

Não sou nenhum profeta. E imagino que o gajo também não seja nenhum leitor de mentes. Porém não estranharia se você me respondesse dizendo que ele tem superpoderes. E como eu o odiaria se fosse o caso. Como diabos ele teve coragem de falar sobre os meus sentimentos sem ao menos me comunicar? Não precisaria dedicar o livro a mim, tampouco escrever meu nome nos agradecimentos, apenas seria respeitoso me comunicar que me escolheu como tema de pelo menos 75% de seus textos — ou seria mais?

Não seja idiota!, você diria. Quero apenas deixar claro que ele conquistou um leitor, eu responderia com sinceridade. Foi essa a minha promessa, se lembra?

Talvez me ache um cara estranho, e quantas vezes não disse isso sobre mim mesmo, mas preciso deixar claro que essa possível contradição se deve apenas ao Pedro Chagas Freitas. Ele é o verdadeiro culpado! Sou inocente de todas as acusações!

Afinal, foi ele quem contou sobre as histórias de amor que vivi e tantas outras que um dia sonhei viver. Ele retratou encontros e desencontros com a naturalidade que só aconteceria em histórias verdadeiras; nas minhas histórias. Ele falou sobre a morte e sobre a vida; ou simplesmente sobre o amor, afinal amor e vida são palavras que só fazem sentido estando lado a lado. Ele falou sobre todas as pessoas imagináveis, mesmo aquelas que apenas passam ao nosso lado e nunca mais as vemos. Ele, apenas ele, falou sobre o amor em todas as suas formas: amor de pai para filho, amor de homem para mulher, amor de homem para homem, amor de pessoa para pessoa… Ou apenas amor.

Por falar nele, se o encontrá-lo não precisa revelar a minha indignação por não ter sido comunicado que falaria sobre mim. Apenas agradeça por em tantas linhas falar exatamente o que eu precisava falar — e que fiz em voz alta, para que o mundo ouvisse e soubesse que para mim o amor também basta.

E para você, eu tenho uma nova promessa. A última, eu juro! Uma promessa que vai de encontro ao sentimento de todo leitor egoísta: Prometo falhar com a literatura e o conhecimento, mas antes deixá-lo empoeirado em minha estante, escondido atrás de tantos outros exemplares e fazendo de conta que não o conheço, do que vê-lo partir para as mãos de outro alguém.

Já te disse que sou ciumento?!

Sinto muito, mas odiando te amar não dá para ser diferente. Se meus sentimentos estão tão expostos dentro de você, pois que fique apenas comigo. Que cada um vá atrás de você e descubra sozinho os seus segredos e mistérios. Eu é que não vou facilitar a ninguém!

“se você soubesse que eu te amo,
talvez fosse diferente, talvez você se deitasse à noite comigo e me deixasse te ver adormecer, tocar no seu cabelo até o fim das lágrimas, trazer a sua cabeça até o medo dos meus ombros e esperar que a felicidade chegasse enfim,
se você soubesse que eu te amo,
mas você sabe” (pág. 72).

3 Comentários

  1. Olá Ricardo!
    Eu simplesmente amei essa resenha. No caso deste livro, não sei se é uma coisa boa ou uma coisa ruim o livro falar justamente com você. Pode até ser considerado como um tapa na cara ou um simples aconselhamento.
    Mas acho que deve ser um livro que cada um sente uma coisa diferente.
    Beijos!

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  2. Ric,
    Sem sombra de dúvidas, esta foi a resenha mais filosófica que já li na vida! E antes que encare isso como algo ruim, está longe disto!
    É lindo quando um livro consegue prender o leitor, de uma forma que não sabemos se sentimos amor ou ódio por ele, e o que na verdade sentimos é este sentimento que descreveu ao final: de deixá-lo ao seu lado, ao invés de vê-lo partir.
    Eu ainda não tive a coragem e o ânimo de experimentar a leitura dele, mas sem dúvida, ao fazer isso, o olharei com novos olhos.
    Grande beijo
    De sua fiel leitora
    Lylu - Relíquias da Lylu

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  3. Tu falou, falou, falou e eu ainda consegui me perder no meio da resenha e já não fazia a mínima ideia se tinha gostado ou não do livro, hahahaha.

    Eu peguei ele para ler alguns contos e, pelo que pude perceber, é tudo tão igual (pelo menos os que li).

    Mas o diferencial do teu texto foi abordar o livro da mesma forma como ele te aborda - UI.

    Beijo grande e depois te conto o que achei :3

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