Zoo, James Patterson e Michael Ledwidge, tradução de Claudio Carina, 1ª edição, São Paulo-SP:
Arqueiro, 2015, 288 páginas.
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Algo muito estranho está acontecendo na natureza e isso está se espalhando pelo mundo. Sem qualquer explicação aceitável, os animais passaram a atacar os humanos, mas o que aparentava ser apenas algo que atingiria os animais selvagens, não demora a também atingir os animais de estimação, aumentando consideravelmente o número de vítimas.

O jovem biólogo Jackson Oz parecia prever que algo de ruim aconteceria. Durante anos ele tentou alertar as autoridades sobre esse cenário preocupante, porém foi desacreditado por todos. Após quase ser vítima de uma emboscada de leões em Botsuana, Oz percebe que precisa agir imediatamente. Mais do que convencer, é necessário também encontrar a explicação e quem sabe a solução para o problema. Caso contrário, ele sabe, a humanidade pode estar com os seus dias contados…

“Os leões dos flancos começam a rastejar rapidamente pela grama, em silêncio, escondendo-se de todas as formas possíveis. A pelagem marrom-amarelada os torna quase invisíveis, massas fulvas camufladas. Eles se distribuem como uma rede larga ao redor do sabugueiro e das vítimas, eliminando qualquer chance de fuga” (pág. 62).
Após ter vinte experiências com a obra de James Patterson, creio ter propriedade para afirmar que Zoo, livro que deu origem à recém-lançada série da CBS, deve ser considerado um dos enredos mais originais do autor. Os críticos mais fervorosos podem até desmerecer o trabalho de Patterson como um todo, porém neste caso é preciso reconhecer que ele foi muito além do esperado.

Para demonstrar isso basta citar como exemplo a intensidade do enredo do primeiro ao último capítulo. Em todos os livros lidos anteriormente me deparei com momentos de tensão, que posso considerar como principal característica dos thrillers de Patterson, porém em poucos isso se manteve a ponto de sempre ter algo que prendesse a atenção. E isso se deve muito à narrativa, que a princípio considerei muito facetada e que mais tarde, ao perceber a necessidade, fui obrigado a ver como algo bem pensado.

Ao dizer isso me refiro ao modo como a teoria do protagonista Jackson Oz foi aos poucos se mostrando consistente. O Conflito entre Animais e Humanos, também conhecido como CAH, é o que move a obra e por isso que, ocasionalmente, foram apresentadas situações que afirmavam que algo de muito errado estava acontecendo aos mamíferos do planeta. Se na primeira parte do livro essas situações acontecem próximas ao personagem que narra parte da história em primeira pessoa, na segunda parte os capítulos em terceira pessoa mostram outros conflitos em diversos locais e confirmam a dimensão do problema.

Mas a grande surpresa, ao menos em minha visão, foi encontrar em Zoo algo muito mais complexo do que apenas os ataques brutais dos animais. Isso porque a grande questão aqui acaba sendo os interesses políticos e até mesmo o ego daqueles que poderiam evitar a tragédia anunciada — políticos e cientistas. Ao usar uma espécie de espelho do mundo real, o livro fez com que me perguntasse se estaríamos preparados se algo tão grave viesse a acontecer.

Outra questão muito importante, que também considero essencial para a qualidade final, foi a causa dessa mudança repentina no comportamento animal, além da explicação para que os humanos não fossem influenciados pela possível doença. Se em um primeiro momento tudo pareceu ser muito fantasioso, logo ficou claro que a intenção era alertar para os riscos que estamos correndo ao maltratar a natureza como fazemos diariamente. Não sei dizer se é possível acontecer como descrito, porém me pareceu convincente.

Para um leitor que não ignora nenhuma obra de James Patterson, mesmo esse sendo um dos autores mais questionados do mercado, Zoo foi uma grande surpresa e passa a figurar entre os melhores do autor. Entre outras coisas, o livro escrito em parceria com Michael Ledwidge não é protagonizado por uma pessoa de atitudes questionáveis, mesmo porque Oz é o típico herói capaz de salvar a humanidade. Com um protagonista interessante e toda a reflexão supracitada, o livro acaba pecando apenas por mais uma vez ter um relacionamento amoroso desnecessário (velha mania do autor!) e um desfecho um tanto quanto corrido.

“Tudo agora são cheiros. O som, o toque — até a visão — são os segundos violonistas numa orquestra de sensações. Todos eles sabem que há humanos aqui. Sabem que há uma fêmea adulta. O odor é inconfundível: o suor, o cheirinho adocicado de ovulação. E o aroma do que parece ser uma criança nova. As bocas comicham de salivação à proximidade das presas. Querem se alimentar delas da mesma maneira que o fogo deseja oxigênio” (pág. 251).

2 Comentários

  1. Olá Ricardo, tudo bem?

    Esse livro é uma das minhas próximas leituras, minhas expectativas são altas, ainda mais de ler a sua resenha, fiquei ainda mais empolgado, como gosto demais da escrita do autor nem preciso falar o tamanho da minha ansiedade e curiosidade.....abraço.


    http://www.devoradordeletras.blogspot.com.br/

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  2. Olá Ricardo!
    Não conhecia esse livro e nem o autor. Mas é legal ver que é um livro que nos coloca para pensar no final de tudo.
    Eu imagino o que aconteceria as pessoas que maltratam animais se eles resolvessem revidar. Ia ser algo assim mesmo.
    Beijos!

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