Para Continuar, Felipe Colbert, 1ª edição, Ribeirão Preto-SP:
Novo Conceito (Novas Páginas), 2015, 224 páginas.
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Ao conhecer a jovem Ayako em um metrô, Leonardo César sente algo muito especial. Além de toda a beleza oriental da jovem, ele percebe que envolver-se com ela pode ser uma ótima forma de esquecer a vida limitada que leva devido a um problema no coração. E se aproximar dela também revela que Ayako tem a importante e difícil missão de proteger um porão da loja de luminárias que gerencia no bairro da Liberdade.

Esse porão está repleto de lanternas orientais, que envolvem um grande segredo dos habitantes do bairro. Os encontros cada vez mais frequentes entre Leonardo e Ayako faz com surja uma nova lanterna, porém eles precisam protegê-la a todo custo, evitando que tudo que construíram desapareça em um piscar de olhos. Mas a presença do chinês Ho, que também é apaixonado por Ayako, pode colocar tudo a perder.

“Ayako apoia a cabeça em meu ombro. A partir desse instante, minha consciência passa a absorver cada parte do meu corpo que se encosta nela. Eu giro o pescoço para apreciá-la, mas minha atenção é desviada para a sua boca, os mesmos lábios úmidos que desenhei e que estão agora a poucos centímetros dos meus. Penso que eles são mais reais que toda a natureza à nossa volta” (pág. 108).
Confesso que ter considerado Belleville como o melhor livro nacional do último ano tornou desnecessário ler ao menos a sinopse de Para Continuar, novo livro de Felipe Colbert. Mesmo porque a frase na capa (“Quando o amor acontece uma luz se acende”) foi suficiente para criar a ideia de que esse livro seria tão especial quanto o anterior, o que acabou se confirmando, afinal, todas as expectativas foram atendidas.

Mas é preciso ressaltar que além de toda a técnica, característica fundamental da escrita de Colbert, era necessário algo a mais para que a história se destacasse. E a simplicidade dessa história contribuiu e muito para isso, no entanto existe neste caso algo que vai muito além do esperado: a magia do amor. Nem mesmo a frase já citada é capaz de explicar como o amor é tratado de forma tão sublime em Para Continuar.

E o fato de o protagonista ser um jovem portador de uma doença muito séria não tem qualquer relação com essa magia. É bem verdade que muitos dos livros que contribuíram para o boom da chamada sick-lit possuem algo mágico, em especial pela mensagem de superação natural em todos os livros, porém aqui tudo acontece devido a fantasia, elemento fundamental para todo o contexto da obra.

Também é interessante o fato de o protagonista Leonardo César ser uma personagem agradável, tornando a leitura envolvente em todos os momentos. Porém isso se deve muito ao estilo narrativo de Colbet e o casamento perfeito entre a narrativa em primeira e terceira pessoa. Essa troca de narrativas causa, entre outras coisas, a certeza de que haverá tensão e muitas surpresas antes do último ponto final. Drama, suspense e fantasia na medida certa para uma obra ser considerada impecável.

A união de personagens tão bem construídos também faz uma diferença enorme no resultado final. Embora todas elas sejam importantíssimas para a trama, o maior destaque não poderia ser outra que não Ayako, uma garota tão encantadora que fica fácil entender o motivo de Leonardo ter se apaixonado de modo tão verdadeiro e marcante. Mesmo que protagonizem uma história teoricamente repleta de elementos comuns, no fundo a história de Leonardo e Ayako não tem nada de comum. É uma história única e com uma mensagem inesquecível.

Dizer que Felipe Colbert é um escritor muito técnico seria, antes de mais nada, completamente desnecessário, visto que além de tudo ele é editor e ministra cursos de técnicas de escrita. Ou seja, ele sabe o que faz e isso torna seus livros perfeitos, afinal uma boa história nem sempre basta para se ter um bom livro. Para Continuar não apenas possui uma história emocionante, que me fez acreditar na luz que se acende no início de uma nova relação, como é de uma qualidade suficiente para garantir que Colbert é um dos melhores de sua geração. Só quem conhece é capaz de entender o prazer de se ler um dos seus livros!

“É óbvio que as lanternas são importantes. Ou elas não estariam aqui, escondidas. Mas agora, estranhamente, não me parecem lâmpadas em seus interiores, tampouco que há qualquer espécie de fogo dentro delas. É mais como uma luz que pulsa, ao contrário de tremeluzir. E faz um bem danado olhar para ela. Quase uma visão apaziguadora. O lugar inteiro, aliás, dá uma sensação de paz que nunca percebi antes” (pág. 128).

4 Comentários

  1. Olá Ricardo!
    Adorei a resenha!
    Acabei me interessando em ler o livro. Parece ser uma obra muito delicada e bela.
    Achei a capa linda também.
    Beijos!

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  2. Ricardo, ainda não li Para Continuar do Felipe, mas li Belleville esse ano e achei fantástico, foi o melhor livro que li em 2015 até agora. Tenho certeza que Para Continuar é tão bom quanto, como você disse, e estou muito ansioso para ler.

    Autor de A Página Certa
    www.laplacecavalcanti.com

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  3. Olá Ricardo,

    Preciso ler o livro urgentemente, como você, fui atraída pelo subtítulo apaixonante que revela expectativas para a nossa leitura!

    =)

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  4. Oie Ri, adorei!
    Só falta me emprestar agora o livro. Ta, eu sei que não vai ser possível. KKKKKK
    Parabéns pela resenha, está fantástica!

    :3

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