Título Original: The Longest Ride
Diretor: George Tillman Jr.
Duração: 139 minutos
Baseado: Uma Longa Jornada, de Nicholas Sparks
Aos 91 anos, com a saúde debilitada e sozinho no mundo, Ira Levinson (Alan Alda) sofre um acidente de carro e se vê abandonado em um lugar isolado. Ele luta para manter a consciência e passa a ver sua amada esposa Ruth (Oona Chaplin), que faleceu há nove anos. A poucos quilômetros de distância, a bela Sophia Danko (Britt Robertson) conhece o jovem cowboy Luke (Scott Eastwood), que a apresenta a um mundo de aventuras e riscos. De forma inesperada, os dois casais vão ter suas vidas cruzadas.
Como comentei ao resenhar o livro Uma Longa Jornada, o mais recente trabalho de Nicholas Sparks tinha tudo para surpreender e fugir de tudo o que autor havia apresentado até então, o que criou muita expectativa em relação a leitura. Em compensação a sua adaptação ao cinema exigia exatamente o contrário, ou seja, que o longa-metragem seguisse todas as características das adaptações anteriores, ainda que o clichê fosse completamente inevitável.

Isso aconteceu pelo simples fato de existir a extrema necessidade de alterar o enredo de Uma Longa Jornada. Era arriscado, para não dizer improvável, manter o enredo idêntico ao da obra literária, pois seria o mesmo que construir um castelo de cartas e, ao colocar a última carta, o castelo ir ao chão. Afinal, o filme poderia se tornar cansativo e perder o que existe de mais belo em sua essência. Mais do que isso, perderia também todas as características de um trabalho sparkiano.
E posso resumir essa alteração no enredo com duas palavras: que bom! Nove em cada dez adaptações seriam completamente prejudicadas caso algo semelhante acontecesse, mas neste caso tudo funcionou perfeitamente bem, o que acabou dando um destaque maior ao casal secundário. Por mais incrível que pareça, o amor entre Ira e Ruth é tão tocante e emocionante que poderia ser o único retratado, tanto no filme, como também no livro. Um amor mágico, para não precisar ir além.

Mas claro que se isso acontecesse ambas as produções perderiam a bonita, porém clichê mensagem que inevitavelmente é transmitida ao fim da história. Não que Sophia e Luke não tenham algo bacana para transmitir, porém é preciso reconhecer que o resultado final só surge com a união das quatro personagens. União essa que no longa-metragem não demora a acontecer e que por isso possibilita uma relação estreita entre todas elas. O resultado disso é um envolvimento marcante por parte de quem o assiste, tornando tudo mais especial.
Sem a menor dúvida, tal envolvimento resulta em uma emoção maior em determinadas situações. Por exemplo: se no livro acompanhar as memórias de Ira foi suficiente para se encantar, acompanhar tais memórias através de cenas belíssimas e sequências muito agradáveis, como devem ser os dramas do cinema, deixou tudo ainda melhor. Era como se a real intenção fosse conquistar pela beleza, independente de possíveis outros acertos. Neste caso George Tillman Jr. foi muito feliz.

Dos mesmos produtores de “A Culpa é das Estrelas”, Uma Longa Jornada está entre os raros casos em que as alterações surtiram um efeito tão positivo que tinha tudo para ser ainda melhor que a obra do qual foi originado. E manter o mesmo estilo de outras adaptações sparkianas não teve qualquer influência para que isso ocorresse. O que acontece é que a história secundária ter tanto destaque e ser importante é algo para ser reverenciado.

Mas de que adianta algo agradar tanto se o filme possui elementos desnecessários? De que adianta agradar tanto, se o clichê, aceitável neste caso, for apenas uma cópia de outras histórias do próprio autor, sendo que isso não era preciso? Não fossem as semelhanças (de situações e não de características, essas sim essenciais) entre esse e outros filmes baseados na obra do autor, com certeza tudo seria muito, muito melhor.

Um Comentário

  1. Olá Ricardo!
    Ainda não tive oportunidade nem de ler o livro e nem de ver o filme. Mas com certeza deve ser uma boa adaptação.
    Beijos!

    ResponderExcluir