Foto: Reprodução - Tatyana Zenkovich/EPA
Sem muitas surpresas, a escritora e jornalista bielorrussa Svetlana Alexievich foi anunciada na manhã desta quinta-feira, 08, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura, a mais importante premiação literária do mundo. Alexievich concorria com outros 198 candidatos, indicados por professores, universidades e sociedades de autores de diversos países.

Segundo a Academia Sueca, responsável pela entrega do prêmio, a escolha da jornalista se deu pela “obra polifônica, um monumento do sofrimento e da coragem em nosso tempo”. Isso porque os trabalhos de Alexievich tratam a realidade do império soviético, causando polêmica a ponto de seus livros serem proibidos em seu próprio país.

Svetlana Alexievich, que sucede o francês Patrick Modiano, é a 14ª mulher a vencer o Nobel de Literatura e conquista o prêmio atendendo as expectativas das principais casas de apostas do mundo. Ela é uma das raras representantes da literatura de não-ficção a ser condecorada com o Nobel de Literatura, que será entregue em 10 de dezembro, aniversário de morte do fundador do prêmio, Alfred Nobel. A jornalista receberá ainda 8 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 3,75 milhões).

Em sua primeira aparição pública após o anuncio do prêmio, Alexievich fez críticas ao ex-líder soviético Josef Stalin e ao atual presidente russo, Vladmir Putin. “Respeito o mundo russo da literatura e da ciência, mas não o mundo russo de Stalin e Putin”. “Também não gosto desses 84% de russos que querem matar ucranianos”, concluiu a escritora, que nasceu no oeste da Ucrânia e participou, em 2014, da revolução que derrubou o então presidente ucraniano, Viktor Yanukovich.

Primeira representante bielorrussa a ser reconhecida com a principal premiação da literatura, Svetlana Alexandrovna Alexijevich nasceu em Stanislav, Ucrânia, em 31 de maio de 1948. Embora não tenha títulos publicados no Brasil, sua obra já foi traduzida para mais de dez idiomas.

O principal trabalho da Nobel de Literatura 2015 é o livro “Voices from Chernobyl: The history of a nuclear disaster”, que levou dez anos para ser concluído e foi publicado em 1997, chegando a ser proibido de circular em seu país. Assim como outros trabalhos de sua autoria, “Voices from Chernobyl” reúne diversas entrevistas com vítimas do maior desastre nuclear da história.

Segundo a própria jornalista, sua obra não retrata apenas as informações ou a história dos fatos, mas a história e os dramas por trás de todas as pessoas entrevistadas. Svetlana Alexievich já escreveu, entre outros temas, sobre a participação de centenas de mulheres na Segunda Guerra Mundial (“War's unwomanly face” - 1985) e as experiências dramáticas dos soldados que retornaram da guerra do Afeganistão (“Zinky boys” – 1991).

Ao longo de trinta anos de carreira literária, Svetlana Alexievich publicou seis livros, incluindo o seu mais recente trabalho, “Second-hand time”, publicado em 2013. Com a sua condecoração, imagina-se que em breve um dos seus livros também seja publicado no Brasil, embora ainda não exista qualquer movimentação no mercado editorial do país.

Um Comentário

  1. Olá Ricardo!
    Adorei saber que uma autora de não-ficção ganhou o Prêmio Nobel.
    E que o livro dela contém depoimentos de pessoas que passaram por coisas horríveis e isso mostra o quanto a humanidade ainda tem que melhorar.
    Parabéns para a Svetlana! :3
    Beijos!

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