Almanegra, Jodi Meadows, tradução de Bruna Hartstein, 1ª edição, Rio de Janeiro-RJ:
Valentina, 2015, 336 páginas.
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Se existe um problema de se gostar muito de um livro ou mesmo de um autor, certamente é ter que esperar um longo tempo para ter a oportunidade de ler novos títulos. Se isso é frequente em livros únicos, dá para se imaginar que o sentimento se torna ainda mais forte quando existe a necessidade de se esperar pela continuação de uma história. Em certos casos, a expectativa criada ao longo da espera pode ser uma grande vilã; em outros uma aliada que dificilmente almanovas encontrariam em Heart.

Foram quase dois anos esperando por Almanegra, mas dizer que a ansiedade era gigantesca seria uma grande mentira. Existia sim a curiosidade pelo segundo volume da trilogia Incarnate, porém neste caso especificamente a expectativa por um novo livro incrível era maior que a ansiedade pela continuação da história da protagonista Ana. Isso até poderia soar estranho, caso não existisse um motivo muito significante para essa afirmação.

Tão logo concluí a leitura de Almanova já sabia que a escritora Jodi Meadows tinha em mãos a possibilidade de escrever uma trilogia memorável. Ou seja, não via necessidade de ansiar pela história em si, mas apenas de criar a expectativa de que tudo se encaixasse perfeitamente bem e que o novo livro repetisse a fórmula mágica que anteriormente garantiu uma experiência de leitura marcante. Por isso dessa vez a expectativa se tornou uma grande aliada, visto que as reviravoltas e as cenas memoráveis se repetiram e, mais do que isso, casaram perfeitamente com todas as explicações necessárias.

Com as expectativas atendidas e a confirmação de que o enredo se manteve impecável, ficou fácil viajar novamente a este mundo incrível e ser surpreendido a cada nova página. Se antes tudo era uma grande novidade para Ana, agora, mais do que nunca, ela precisa encontrar uma forma de lidar com o ódio da população de Heart. Todos a culpam pelo fim de algumas almasnegras, que serão substituídas por pessoas como Ana — uma almanova —, então ela tem a obrigação de proteger a si mesma e também os seus semelhantes.

Para tentar chegar ao seu objetivo, Ana continua contando com a ajuda de algumas pessoas, mas a sensação que tive era de que a confiança deveria ser acompanhada da própria desconfiança. Proposital ou não, isso acabou sendo uma das coisas que mais me agradaram em Almanegra. Mesmo as personagens que mais demonstravam se preocupar com a causa das almanovas, na minha visão poderiam na verdade estar com segundas intenções. O resultado disso foi uma identificação muito grande com o par romântico formado desde o primeiro livro por Ana e Sam, já que este sempre me pareceu confiável.

Se antes a relação de amor entre essas personagens quase ficou em segundo plano, dessa vez tudo se intensificou de um modo atraente e agradável. O fato de o romance acontecer naturalmente, sem a necessidade de se forçar o início de um relacionamento, tornou tudo mais verossímil, em especial pelo fato de existir uma razão para tudo. Ana sofreu muita rejeição e mesmo ao encontrar alguém com sentimentos verdadeiros, ela não sabe absolutamente nada sobre o seu futuro, então obrigatoriamente precisa ter muita calma ao lidar com essa situação. E mais uma vez Meadows acertou em cheio.

Mas esses estão longe de ser os únicos pontos positivos do segundo volume da trilogia Incarnate. Conforme algumas das perguntas que cercam esse universo são respondidas, o envolvimento que sempre foi grande adquire níveis inimagináveis. A criatividade e a originalidade da autora são de um brilhantismo incomparável — que só lendo para entender.

Faltariam palavras para descrever como um único livro foi capaz de causar mil e uma reações ao longo de pouco mais de trezentas páginas. O que dá para afirmar é que essa é a continuação que todos os livros bons livros mereciam. Só espero que o próximo seja da mesma forma. Afinal, o desfecho de Almanegra é simplesmente incrível e a trilogia tem tudo para se fechar da mesma forma!

“Meus soluços foram abafados pelo ar liquefeito. Desejei que Sam estivesse comigo. Desejei que não soubéssemos sobre Janan. Desejei que estivéssemos sentados ao piano, as pernas pressionadas uma contra a outra, porque, no fundo, nenhum dos dois estava pensando em música, não de fato. Desejei todas aquelas coisas com tanta intensidade que, por um momento, achei que fossem reais, mas então um grito cortou a escuridão e eu me lembrei do templo, de estar correndo e de Janan” (pág. 152).

4 Comentários

  1. Oie Ricardo!! Amei, amei, amei a leitura de Almanegra, já tinha ano que implorava a continuação a Valentina e enfim o livro saiu, a história é realmente muito bem contada e o foco no romance de Ana e Sam também me agradou muito e tipo as respostas das perguntas é de explodir cabeças fiquei realmente transtornado com algumas respostas que recebi. Mal posso esperar pelo próximo livro, minha única tristeza é que o livro não tenha sido recebido pelos leitores como deveria já que essa serie é muito boa e acabou causando atrasos e problemas, queria que a Valentina lançasse o conto da série, mas como já me disseram, ela não foi lucrativa então provavelmente nem vai rolar, mas ao menos eles vão terminar de lançar a trilogia, agora só nos resta esperar por Infinita!!

    Xo
    Alisson
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  2. Oie Ri.
    Então me falou desse livro enquanto lia. E sabe foi torturante, dado que eu sou muito curiosa!
    E não ajuda nada você escrever tão bem resenhas, você me deixa com sede de ler, assim mata cara.
    Kkk precisa me emprestar metade doa que me deixa curiosa. Enfim, parabéns pelo seu jeito de deixar todos curiosos!

    Beijão. <3

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  3. Confesso que não tinha grandes expectativas pelo livro, mas depois de ler sua resenha percebi que estava errada. Mal posso esperar pra ler! A capa é muito linda.

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  4. Olá Ricardo!
    Adorei a resenha, nem preciso dizer, acho eu!
    Não cheguei a ler esta trilogia ainda, mas ela me parece muito interessante. A capa é belíssima.
    Beijos!

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