O Vampiro Imperador, Leonardo Barros, 1ª edição, Barueri-SP:
Novo Século, 2015, 400 páginas.
Skoob: Clique Aqui.

Para tentar o tão aguardado filho, a jovem Drucila, que é casada com o médico do imperador Nero, resolve entregar-se a um culto proibido de fertilidade, dando início a sua ruína. A sua transformação em vampira é apenas o primeiro passo de uma busca de poder que tem como intenção dominar Roma por completo.

Suas intenções, no entanto, são ameadas por Dotan, um general de confiança de Nero. Assim como Drucila, ele também é um ser imortal e, em todas as noites de lua cheia, tenta evitar a sua transformação em lobisomem. Pelo menos até perceber as energias maléficas que envolvem Roma e que o derramamento de sangue na cidade é inevitável, o que o obriga a usar de todas as suas forças para salvar o povo romano.

“Rápido, muito rápido, ela correu dali. Lembrou-se da lâmina fria em seu pescoço no dia em que roubara pela primeira vez, no dia em que Adriani a salvou da morte quando um tropeço a expôs ao punhal do comerciante. Dessa vez, porém, não iria cair, pois agora não havia ninguém para ajudá-la! Não era mais uma patrícia casada com um homem nobre e poderoso. Nem era a filha de um rico comerciante de olivas que se escondia na Galícia. Era apenas uma prostituta infecta que morava com leprosos.
Ninguém a salvaria” (pág. 110).
Não é de hoje que espero pelo tão comentado livro de fantasia escrito por Leonardo Barros. Desde que publicou Presságio – O Assassinato da Freira Nua que o autor comenta brevemente sobre este trabalho, obviamente gerando uma expectativa muito grande, afinal é um gênero que sempre despertou a minha atenção. Mas em nenhum momento imaginei que Leonardo superaria as expectativas, escrevendo o seu melhor livro até então.

Quase sempre, ao comentar sobre o futuro projeto, o autor acabava citando nomes como George R. R. Martin, um dos mais importantes da atualidade, e não é difícil notar a influência do criador de “As Crônicas de Gelo e Fogo”. O que não significa que O Vampiro Imperador não possua a sua própria identidade. Isso acontece tanto no estilo narrativo, como também no desenvolvimento do enredo, que sem dúvidas fez uma grande diferença no resultado final.

Isso porque ao brincar com a realidade, unindo-a a uma ficção original e ao mesmo tempo impecável, o autor cria naturalmente uma aproximação com as personagens, tão bem estruturadas e reais — apesar do lado fantasioso. Essa aproximação se deve ao fato de já conhecer a história real da Roma de Nero e do início do Cristianismo, mas também porque o desenvolvimento desses elementos é através de um dinamismo incrível, tornando impossível se desprender da história e de tudo o que a envolve. Algo comum em obras de estrutura perfeita!

E foi justamente o casamento entre a fantasia e a história real desse período histórico que mais me levou para dentro da história. Em determinado momento não me sentia apenas acompanhando Drucila, Dotan e tantas outras personagens, mas sim na Roma Antiga, onde a disputa de poder e de interesses causaram a perseguição de todos que tentavam transmitir os ensinamentos de Iesus Christus. Por ser um apaixonado pela temática, O Vampiro Imperador logo se tornou um livro diferenciado.

A união de todos esses pequenos detalhes só poderia dar origem a cenas memoráveis, em especial nos embates e nos diálogos, fundamentais para o entendimento de cada nuance por trás da disputa entre vampiros e lobisomens. Como os capítulos e cenas são curtíssimos, a leitura foi viciante e por isso dá para garantir que neste quesito o que era bom, em obras anteriores, se tornou muito melhor. A evolução literária de Leonardo Barros é exemplar.

Após a leitura de O Vampiro Imperador dá para garantir que os dois anos esperando valeram a pena. Embora em outrora Leonardo Barros tenha escrito dois romances policiais que muito me agradaram, arrisco a dizer que a fantasia pode ser considerada a sua zona de conforto e que esse é o gênero que o faria se destacar ainda mais no mercado editorial. São poucos os escritores brasileiros que escrevem literatura fantástica com tamanha qualidade, ainda mais ao utilizar seres como os vampiros e lobisomens.

Só é uma pena chegar ao epílogo e se deparar com uma cena que instiga o desejo por mais.

“Drucila saltou sobre ele e o mordeu, sem que sugasse seu sangue. E ele retribuiu rasgando sua pele com os dentes e vendo-a regenerar em segundos. A cada segundo, as transformações do lobo eram controladas pela prata. O desejo, cada vez maior e mais tenso, crescia a cada beijo. Consumiam-se em pé, naquela cela imunda e malcheirosa, sentindo ódio e amor um pelo outro.
Mesmo que fosse um amor estranho e abjeto” (pág. 244).

2 Comentários

  1. Amigo, além de antenado, você é um crítico sagaz!
    Obrigado pela elogiosa resenha. Senti até um arrepio.
    Já tenho um novo volume em que Dotan encontra Nadav. Espero que você não precise esperar dois anos dessa vez! Hehehehe
    Forte abraço!

    ResponderExcluir
  2. Olá Ricardo!
    Eu tenho um vontade de ler essa livro, por gosta de história e também dos seres vampirescos e os lobisomens.
    Com certeza, essa obra é uma excelente leitura.
    Beijos!

    ResponderExcluir