Noites de Tormenta, Nicholas Sparks, tradução de Maria Clara de Biase, 1ª edição, São Paulo-SP:
Arqueiro, 2015, 176 páginas.
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Quando seu marido a trocou por uma mulher mais jovem, Adrienne Willis perdeu a esperança no amor. Focada apenas na educação de seus três filhos, ela ficou presa em sua rotina de mãe, pelo menos até aceitar passar um fim de semana cuidando da pousada de uma amiga.

A previsão de uma tempestade dá a impressão de que o fim de semana será monótono, porém a chegada do cirurgião Paul Flanner muda completamente os planos. Visitando a cidade de Rodanthe para encerrar um capítulo doloroso de sua carreira, ele possui dramas semelhantes aos de Adrienne, por isso a aproximação é natural. O curto espaço de tempo que ficam juntos é mais do que suficiente para algo eterno renascer em seus corações.

“Paul desviou o olhar, mas seus olhos foram atraídos para ela de novo. Embora estivesse chorando, dava para ver que era bonita, mas havia algo no modo triste como mudava o peso de um pé para o outro que deu a entender que ela não se dava conta da própria beleza. O que, pensaria sempre ao se lembrar daquele momento, só servia para torná-la ainda mais atraente” (pág. 33).
O dia que eu tanto temia infelizmente aconteceu. Não é preciso ser um grande amigo, ou mesmo conhecedor do meu trabalho literário, para saber que Nicholas Sparks é uma grande influência em meus textos. Quando o conheci, através do tão amado “Um Amor para Recordar”, passei a ver as histórias de amor com outros olhos, por isso sempre existiu um temor de que ele, que tanto me conquistou, acabasse também me decepcionando.

Se alguém me falasse que essa decepção aconteceria justamente com Noites de Tormenta eu seria obrigado a no mínimo dar risada. Por algum motivo desconhecido, sempre vi esta obra, que acaba de ser relançada pela editora Arqueiro, como uma espécie de clássico do trabalho de Sparks, como se a história de Adrienne e Paul fosse uma versão madura da história de Landon e Jamie. Ledo engano.

Ao receber o livro eu deveria ter notado algo de muito estranho. Embora a capa seja muito bonita — talvez a mais bonita do autor em sua atual editora brasileira — a diagramação, com margens maiores, se distancia e muito do padrão da Arqueiro, assim como o próprio tipo de papel. Isso poderia ter um significado apenas comercial, aumentando o número de páginas de um livro curtíssimo, mas, pensando bem, se isso foi necessário, é por ter faltado algo em seu conteúdo.

Ou seria essa uma opinião exagerada de alguém que em nenhum momento se identificou com o que lia e por isso se diz decepcionado? Sinceramente não sei.

Essa decepção aconteceu simplesmente porque ao meu ver o enredo parece nunca sair do lugar, como se não existisse a vontade de desenvolver os conflitos e chegar assim a uma solução para os mesmos. A sensação não poderia ser diferente, afinal, desde o princípio é óbvio qual será o desfecho desta história. Nem mesmo o causador do encontro foi bem explorado, a ponto de me perguntar: é apenas isso?! Sim, era apenas isso.

No entanto, por mais incrível que possa parecer, a obviedade não acontece simplesmente devido aos naturais clichês das obras sparkianas, mas porque o próprio autor evita a formação de qualquer questionamento ao optar por uma narrativa em que a protagonista conta a sua própria história para outra pessoa. Não é difícil se atentar ao que está ao redor de Adrienne e tirar as conclusões sobre a totalidade ainda no segundo capítulo — ou mesmo antes, se levar em consideração o que a tradução do título nos sugere.

Por já conhecer o estilo de Nicholas Sparks isso poderia até não servir como argumento para o meu descontentamento, mas neste caso outros fatores foram fundamentais. Por exemplo a necessidade de desenvolver toda a história do casal protagonista. Antes de se conhecerem e consequentemente se aproximarem, Adrienne e Paul vivenciaram seus próprios dramas e tiveram motivos para chegar na atual situação, mas o desenvolvimento desses elementos exige quase metade do livro, sobrando pouco espaço para o que realmente interessava: o relacionamento entre eles.

Noites de Tormenta é um ótimo exemplo de um livro que merecia ser mais explorado e assim obter um resultado que fosse além de uma simples mensagem bonita porém artificial, como é o caso. Não dá para negar que as transformações causadas no interior das personagens são relevantes, e que a escrita fluída do autor torna a experiência de leitura agradável. Então vale ressaltar que os leitores de primeira viagem podem até se emocionar, mas para um velho lobo do mar isso foi simplesmente impossível.

“Aquilo não poderia estar acontecendo, disse a si mesma. Por Deus, ela tinha 45 anos; não era uma adolescente. Era madura o suficiente para saber que algo assim não podia ser real. Era consequência da tempestade, do vinho, do fato de eles estarem sozinhos. Era uma combinação de mil coisas, disse a si mesma, mas não era amor” (págs. 110-111).

Um Comentário

  1. Olá Ricardo!
    É uma pena quando um livro não atende a todas as suas expectativas. Passei por isso, acho que te entendo.
    Uma pena ver uma história que tinha o melhor potencial, por ter os personagens com um passado bem maior, acabou sendo mediana. =(
    Apesar disso, adorei a resenha!
    Beijos!

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