Chegamos hoje ao último dia do ano e inevitavelmente sou obrigado a olhar para trás e relembrar tudo que aconteceu ao longo dos últimos doze meses. Entre coisas boas e outras nem tanto, este ano me dediquei a leitura de 67 livros (um número muito inferior ao do ano anterior) e, como de costume, não poderia deixar de apresentar uma nova edição do Destaques Literários, que mais uma vez revela o que de melhor foi lido e resenhado da literatura nacional e internacional ao longo do ano que está chegando ao fim.
Prometo Falhar — Apenas quatro meses se passaram desde que conclui a leitura de “Prometo Falhar” e já perdi as contas de quantas vezes citei os textos de Pedro Chagas Freitas para amigos e mesmo em publicação nas redes sociais. Parece que foi ontem que fiz a promessa de não emprestar o meu exemplar para absolutamente ninguém e adivinhem quem quebrou a promessa na primeira oportunidade?! Sim, esse que vos escreve. E se isso aconteceu foi apenas porque este livro de contos e crônicas conseguiu ser um espelho dos meus próprios sentimentos, além de inclusive moldar o meu estilo literário.
Mário Prata Entrevista uns Brasileiros — Acho que nenhum outro livro lido em 2015 me fez rir tanto quanto “Mário Prata Entrevista uns Brasileiros”. Vários são os fatores que me levaram a considerá-lo um dos melhores do ano, mas em especial pela ideia de entrevistar, explorando o bom humor, personagens históricos e fundamentais para a construção de nosso país, o que resultou em um livro hilário e ao mesmo tempo indiscutivelmente muito bom.
Como se Apaixonar — Pouquíssimos autores de drama conseguiram me conquistar como Cecelia Ahern no seu “Como se Apaixonar”. Ao tratar um tema tão importante de ser debatido, como o suicídio, o livro acaba abordando uma situação muito real, mas ao mesmo tempo não perde a magia e simplicidade de todas as obras da autora irlandesa conhecida por seus contos de fadas modernos. Sem contar toda a perfeição da estrutura e da construção das personagens.
Para Continuar — Felipe Colbert entrou para a lista dos meus autores favoritos em 2014, quando considerei “Belleville” o melhor título nacional do ano anterior. Dessa vez “Para Continuar” representa os dramas nacionais e se chegou ao ponto de ser escolhido nesta categoria muito se deve ao fato de ser um dos mais emocionantes livros do ano. São raros os livros em que drama, suspense e fantasia estão em plena sintonia a ponto de o resultado final ser tão especial.
Inocência? — Acho que não é novidade para ninguém que tenho uma paixão platônica por Alexia Tarabotti. A protagonista da série O Protetorado da Sombrinha é simplesmente a melhor personagem feminina que tive o prazer de conhecer nos últimos anos, porém “Inocência?” é o que de melhor Gail Carriger produziu até o terceiro volume da série. Explicações, reviravoltas, polêmicas e ação na medida certa, o que me fez apreciar como nunca o steampunk.
O Vampiro Imperador — Um livro nacional que se passa no Império Romano e mostra uma disputa entre vampiros e lobisomens? Acho que não preciso dizer o motivo de ter contado os dias para iniciar a leitura do novo livro do parceiro Leonardo Barros, que há tempos prometia uma fantasia com influência na obra de George R. R. Martin. Para quem tem uma fixação por histórias que unem ficção e realidade, este foi um prato cheio.
Uma curiosidade: há pouco tempo não suportava me imaginar lendo histórias protagonizadas por vampiros e lobisomens. Hoje, dois dos livros selecionados tem esses seres como destaque. Isso deve querer dizer alguma coisa.
Detalhe Final — Última leitura e melhor suspense estrangeiro do ano, mas confesso que foi difícil escolher “Detalhe Final”. Isso porque a disputa entre este e outro livro de Harlan Coben, lido no início do ano, me fez questionar qual dos dois merecia receber esse destaque. Acabei optando por aquele que não teve um final que foi contra o meu desejo. No mais, “Detalhe Final” e “Um Passo em Falso” são igualmente incríveis.
Cidade Banida — É bem verdade que o ideal seria incluir “Cidade Banida” em uma categoria dedicada especialmente aos livros distópicos, mas o novo livro de Ricardo Ragazzo não poderia faltar na lista — embora o suspense nem seja o foco. Essa distopia fica aquém dos suspenses inesquecíveis publicados pelo autor nos últimos anos, mas o gênero está em seu estilo e quando isso acontece não dá para evitá-lo.
O Álbum — Um romântico incorrigível como eu não poderia ignorar um livro como “O Álbum”, inspirado em uma história real de um casal que trocou cartões postais durante décadas. Ora, seria esse um desejo que gostaria de realizar ao lado de minha futura esposa, mas nem por isso cheguei a apostar todas as minhas fichas no livro de Timothy Lewis. No entanto, com a chegada do último ponto final, este enredo dividido em três épocas distintas já me transformara e me fez ver o amor com outros olhos, ou seja, uma grata surpresa.
A Corte Infiltrada — “A Corte Infiltrada” vai contra muitas das obras de autores nacionais que parecem insistir nas mesmas falhas de sempre. Diferente de tantos outros, Andréa Nunes construiu um enredo inteligente e conspiratório, mas o motivo de ter sido surpreendente é outro: esse thriller é original e merece ser lido, relido e trelido. Para não dizer que merece ser inclusive adaptado.
Queda de Gigantes — O livro de Ken Follett, ambientado na Primeira Guerra Mundial, foi a primeira leitura concluída em 2015, embora tenha começado ainda no ano anterior. A demora aconteceu devido ao grande número de páginas (912), mas poderia ir além ao afirmar que é preciso calma para apreciar cada mínimo detalhe escondido no primeiro livro da trilogia O Século. Follett é de uma genialidade incrível e, para um bom fã de romances históricos, este não poderia jamais ser esquecido. Perfeito é a melhor palavra que define “Queda de Gigantes”. Se é que possível defini-lo em uma palavra.
Uma Praça em Antuérpia — Curiosamente o melhor livro nacional do ano também tem uma guerra como cenário, o que prova o meu fascínio por histórias do gênero. Diferente do livro anterior, este se passa na Segunda Guerra Mundial, um período retratado com muito mais frequência, o que não tira todo o brilhantismo da obra de Luize Valente. O motivo? “Uma Praça em Antuérpia” me levou a uma viagem ao passado e o fato de esquecer a figura de Hitler mostra que o contexto histórico abordado é de uma riqueza enorme. Não por menos este título me conquistou desta forma.
Harlan Coben — A exemplo de outros anos, uma das minhas escolhas para Melhor Autor se baseou na quantidade de livros lidos ao longo do ano. Foram apenas três obras de Harlan Coben, porém todas lidas com o mesmo entusiasmo e com a tensão que o escritor norte-americano consegue transmitir com tanta facilidade. Ter escolhido um de seus livros como o melhor suspense também influenciou esta escolha, mas nada se compara ao fato de ter Coben na lista dos favoritos há muito tempo.
Felipe Colbert — Diferente da escolha de Harlan Coben, não escolhi Felipe Colbert pela quantidade de livros lidos. Infelizmente li apenas o título supracitado, mas esta, que foi a segunda leitura de sua obra, confirmou o que eu já sabia: entre os autores nacionais, ele está acima da média. Seria bom se todos os autores da nossa literatura fossem capazes de escrever bons livros e de histórias originais e surpreendentes como Colbert, por isso afirmo: os autores iniciantes devem obrigatoriamente se espelhar no autor de “Para Continuar” e “Belleville”.
Categoria criada por sugestão da autora Samanta Holtz.
Dan Gemeinhart — O livro “A Mais Pura Verdade” precisava de alguma forma ser incluído nessa lista e nada melhor do que indicar Dan Gemeinhart como autor revelação. Uma das apostas da editora Novo Conceito no início do ano, este livro surpreendeu pela maneira singela com que o autor narrou, sob a visão de um garoto, as nuances de uma amizade verdadeira, além da busca pelos sonhos e dos limites de cada pessoa. Sem dúvida aposto minhas fichas em Dan Gemeinhart e realmente espero que ele volte a me conquistar em seus futuros trabalhos.
Lívia Fiedler — Ter feito algumas críticas em relação ao livro de estreia de Lívia Fiedler, “A Guardiã do Fogo”, não me impediu de reconhecer na autora um grande potencial. Mas nem mesmo conhecer o seu trabalho através dos contos publicados em algumas antologias me fez imaginar a sua ousadia com o desfecho da obra. Quando nove em cada dez autores evitariam certas situações, ela foi lá e se arriscou. O resultado? Não abro mão de ler seus futuros romances.

3 Comentários

  1. Ricardo!
    Escolhas boas!

    Desejo um 2016 carregado de saúde, realizações e muito sucesso em tudo que empreender.
    “Este ano foi um grande ano! Foram momentos de alegrias constantes e tristezas passageiras. Gostaria de agradecer imensamente sua companhia, seu apoio, sua lembrança! Obrigado por me presentear com sua amizade e carinho! Desejo-lhe um feliz ano novo. Forte abraço!” (Givas Demore)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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  2. Olá Ricardo!
    Que legais suas escolhas como os destaques do ano passado. Acreditar que li resenha de maioria deles aqui.
    Feliz ano novo! (Não lembro se lhe desejei, mas tá valendo né?) Tudo de bom para vocês neste novo ano!
    Beijos!

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  3. To passado não li nenhum dos livros que você escolheu!!! e Na verdade o único que tenho a intenção de ler é o livro do protetorado da sombrinha!! Concordo com sua escolha de Dan Gemeinhart para revelação, eu também amei A Mais Pura Verdade!!!

    Xo
    Alisson
    Re.View

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