Como se apaixonar, Cecelia Ahern, tradução de Bárbara Menezes de Azevedo Belamoglie, 1ª edição, Ribeirão Preto-SP: Novo Conceito, 2015, 352 páginas.
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Depois de não conseguir evitar que um homem acabasse com a própria vida, Christine passa a refletir sobre o quanto é importante ser feliz. Por isso desiste de seu casamento sem amor e aplica as técnicas aprendidas em livros de autoajuda para viver melhor.

Adam, por sua vez, está enfrentando uma série de problemas e a única saída que encontra para solucioná-los é acabar com sua vida. Mas Christine aparece para transformar sua existência. Ela tem duas semanas para fazer com que Adam reveja seus conceitos de felicidade. Quem sabe assim ela consegue ajudá-lo a desistir de sua decisão o fazendo se apaixonar pela própria vida.

“Respirei fundo na tentativa de desacelerar meu coração. Os gritos dele estavam me deixando tão em pânico que eu não conseguia pensar direito. Enfim, houve silêncio. Ele estava parado ali, olhando para mim. Eu tinha que dizer alguma coisa. Alguma coisa compreensiva. Algo que não fosse disparar outra explosão de ira. Eu não aguentaria se ele se machucasse. Não ali, não comigo, nunca” (pág. 118).
Um dos primeiros livros que li em 2015 foi de autoria de Cecelia Ahern e curiosamente um dos últimos também foi da escritora irlandesa. Talvez isso tenha sido uma escolha do destino para que encerrasse o ano com uma obra capaz de coroá-lo, pois foi exatamente o que aconteceu ao ler Como se apaixonar, sem a menor dúvida um dos melhores do ano.

Por muito pouco não mudei a minha escolha de qual deveria ser a próxima leitura, mas graças a opinião da Lu Pimenta, do blog Relíquias da Lylu, acabei fazendo a escolha certa. Bastou ela fazer um ou outro comentário, antes mesmo que concluísse a sua própria leitura, para eu fazer a minha escolha, com a certeza de encontrar um tema que me atrai, mas sem imaginar que acabaria me deparando com uma obra que me emocionaria e faria rir em intensidades tão semelhantes.

Tudo isso porque acompanhar a história de Christine é o mesmo que se apaixonar pela vida e passar a acreditar no ser humano como o seu próprio remédio na busca pela cura das tristezas e, como consequência, o encontro com a felicidade. Essa personagem é do tipo que muitas vezes me conquista por representar a verdadeira essência humana, com suas qualidades e defeitos bem definidos e se misturando a todo instante. No entanto ela vai muito além pois, como leitor, foi fácil se apaixonar por ela e por tudo o que representa.

O fato é que ao assumir a missão de salvar a vida de uma pessoa que está disposta a se matar, Christine precisa encontrar opções para mostrar que viver vale muito a pena. Como isso deve acontecer em apenas duas semanas, a cada novo capítulo Ahern apresenta diversas situações, sejam elas emocionantes, engraçadas ou mesmo reflexivas, tornando a leitura muito dinâmica. E a construção de todo o enredo foi tão impecável que mesmo o que poderia prejudicá-lo acabou ficando ofuscado pela magia e encantamento por trás do mesmo.

A isso me refiro a possível demora para tudo de fato acontecer, mas diferente de Simplesmente Acontece, em que a autora demorou uma eternidade desnecessária para narrar o óbvio, em Como se apaixonar tudo é essencial para a construção do enredo e a reformulação das personalidades de Christine e Adam. Em dado momento me perguntei qual a necessidade de uma passagem que envolvia personagens secundários, mas logo compreendi que essas personagens tinham muito a oferecer ao todo. Aí está a grandeza da obra. Nada está fora do lugar.

Mas tal perfeição dificulta apenas em um sentido: é impossível afastar os pensamentos da história. Cecelia Ahern foi tão brilhante que em diversos momentos me encontrei em uma encruzilhada, em que tinha como opção continuar a leitura, com a necessidade de me preparar para a despedida das personagens, ou então deixar o livro de lado, mas enfrentar um turbilhão de questionamentos. Era como se tivesse sido introduzido ao livro e, como tal, tivesse responsabilidade em seu desfecho.

Talvez todas as palavras utilizadas sejam insuficientes para descrever a forma com que Como se apaixonar me conquistou. Diria que tratar a depressão e o suicídio com tamanha delicadeza e cuidado incluiu Ahern no seleto grupo de escritores que com suas obras conseguem ir além do entretenimento. E mesmo ainda desconhecendo muito de seu trabalho, não tenho receio de afirmar que este deve ser um dos seus melhores títulos. Se não o melhor.

“Aquela dor não duraria para sempre; ela levaria as cicatrizes da experiência e iria se lembrar dela para o resto da vida, sem dúvida aquilo iria influenciar cada decisão que Caroline tomasse daquele momento em diante. Mas, onde havia dor, viria a cura; onde havia solidão, novos relacionamentos poderiam ser formados; onde havia rejeição, um novo amor poderia ser encontrado. Era um momento. E momentos mudam. Ela teria que sobreviver àquele momento e ir para o próximo” (pág. 322).

Um Comentário

  1. Olá Ricardo!
    Adorei a resenha. Eu gosto das suas resenhas de qualquer jeito.
    É tão bom quando um livro nos encanta assim, mesmo que ele fale de um assunto delicado como o suicídio.
    Eu fiquei com bastante vontade de ler esse livro e conhecê-lo.
    Beijos!

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