Eva, William P. Young, tradução de Fabiano Morais, 1ª edição, São Paulo-SP:
Arqueiro, 2015, 240 páginas.
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Ao encontrar Lilly em um contêiner à deriva em uma ilha entre dois mundos, muito machucada e precisando de cuidados, John passa a ser o responsável por sua recuperação e em pouco tempo descobre que a sobrevivência da garota tem um significado especial: sua missão pode salvar a todos. Em meio as dúvidas que cercam a sua sobrevivência, e ainda tentando se recuperar dos traumas que lhe causaram feridas, Lilly é convidada por Eva para testemunhar a verdadeira história da Criação e descobrir aos poucos qual o seu papel para a humanidade.

“De repente, um estrondo. Seu corpo inteiro se encolheu. A menina esticou o pescoço em direção à luz. A explosão foi instantânea e contínua, uma energia arrebatadora e um fluxo de informação que se propagava, jorrando em sua direção. Era cor. Era música. Era alegria e fogo, sangue e água. E era voz — única e múltipla, ascendente e penetrante, unindo-se ao vazio” (pág. 20).
Quando “A Cabana” era um dos maiores sucessos editorais e peguei o exemplar em mãos pela primeira vez, sequer imaginava o que o futuro me reservava. Sem passar por minha cabeça que um dia teria um blog literário e publicaria em livros, o romance de William P. Young se tornou um dos dois melhores lidos até aquela ocasião e mudou minha forma de ver os livros do gênero. Prova disso é que mais de cinco anos se passaram e este continua sendo uma referência.

No caso de Eva, o novo grande sucesso do autor, ele repete a fórmula, alterando completamente a temática por trás de seu enredo, que é o resultado de quarenta anos de pesquisas sobre a história da Criação. Se antes a Santíssima Trindade foi apresentada com maestria, a ponto de revelar inúmeras surpresas, agora Adão e Eva são as personagens que contribuem para todo o desenvolvimento da obra, que não deixa de ser surpreendente e com uma abordagem completamente nova e inesperada. Não por menos que muitas verdades podem ser contestadas.

Para chegar a esse resultado foi preciso apresentar o que posso chamar de um universo paralelo, em que muitas coisas são novas e talvez por isso um tanto quanto complexas. Tal complexidade pode ter sido o único fator que impediu que o terceiro livro de Young fosse tão inesquecível quanto o seu título de estreia, visto que exigiu um grande número de páginas para compreender onde tudo iria chegar e qual a importância de cada pequeno detalhe.

Deixando as comparações de lado — até porque Eva conseguiria fazer o seu nome no mercado mesmo sem o marketing inevitável —, a partir do momento em que me senti menos deslocado, a leitura fluiu naturalmente e o meu desejo por respostas se tornou proporcional ao de Lilly, a personagem principal. Isso se deve muito ao modo particular encontrado pelo autor de narrar a busca por um objetivo que chega ao ponto de envolver interesses de diversas personagens, ou seja, a narrativa é intercalada entre a busca pelas respostas e a experiência de assistir a Criação.

O mais interessante nisso tudo é que ao mesmo tempo em que Lilly se relaciona com as pessoas perfeitas que deram origem a tudo, e com o próprio Deus, ela também está se relacionando com aquelas que nasceram devido ao pecado. O contraste existente nesses dois núcleos é apenas um dos atrativos. Outro deles, também muito significativo, é a sutileza com que a Criação e o cenário do início de tudo são apresentados.

Apenas quem tiver o prazer de conhecer essa belíssima visão de William P. Young poderá entender o quão prazeroso isso pode ser.

Pelo bem ou pelo mal, Eva é o típico suspense ficcional que te deixa intrigado na maior parte do tempo e sem saber em quem confiar, mas que acima de tudo tem em sua essência a beleza e delicadeza encontradas apenas ao tratar de Deus. O desfecho emocionante causa reflexões que podem dizer muitas coisas, entre elas que virar a face à Ele pode ser uma alternativa para todos os problemas. No entanto, com essa leitura, a visão sobre o amor de Deus e as infinitas formas de redenção ganham um novo significado. E isso sempre deve ser levado em consideração.

Talvez eu precise que o gelo debaixo dos meus pés quebre para que eu possa cair e desaparecer. Oh, Deus, ainda que eu esteja totalmente maluca, Você viria me encontrar? Acho que quero mesmo ser encontrada, mas por Você, não apenas pelos outros” (pág. 165).

Um Comentário

  1. Olá Ricardo!
    Nunca li nada do William, mas sempre tive vontade porque me recomendaram. Mas sei lá, até gosto de falar de religião, mas acho que a coisa estar meio que contexto do livro todo um pouco demais.
    Beijos!

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