Detalhe Final, Harlan Coben, tradução de Ricardo Quintana, 1ª edição, São Paulo-SP:
Arqueiro, 2015, 304 páginas.
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O agente esportivo Myron Bolitar está num verdadeiro paraíso e usa da companhia de Terese, uma mulher que acabou de conhecer, para se recuperar de uma recente perda dolorosa. No entanto seus momentos de prazer são interrompidos por seu amigo Win, que não traz boas notícias: um dos seus clientes mais antigos foi assassinado e a principal suspeita é Esperanza, melhor amiga e sócia de Bolitar.

De volta a Nova York, ele está determinado a provar a inocência de Esperanza, mas os obstáculos são enormes e, para solucionar o caso, ele precisa ir a fundo em questões do seu próprio passado que podem inclusive representar o seu fim.

“Myron engoliu em seco. Havia pensado que os acontecimentos recentes o ajudariam a entender melhor Win, que também já matara alguém. Diversas vezes. Agora que Myron também passara por isso, chegara a pensar que se estabeleceria um novo elo, mas não. Pelo contrário. A experiência compartilhada estava cavando um verdadeiro abismo entre os dois” (pág. 12).
Embora ainda desconheça grande parte da série Myron Bolitar, desde o meu primeiro contato com o principal personagem de Harlan Coben vejo nele algo que me faz admirá-lo cada vez mais. Como pessoa talvez Bolitar não seja o melhor exemplo para a humanidade, e poderia ir além ao citar os diversos motivos que me levam a dizer isso, mas, como personagem literária, ele representa o que posso considerar o modelo de perfeição. Uma criação intangível do mestre das noites em claro.

Detalhe Final, sexto livro protagonizado por Myron Bolitar, tem uma série de situações que engrandecem tal argumento, em especial por revelar, através dos dramas vivenciados pela personagem, como esta vai muito além de uma simples protagonista de um suspense. Mas existe um detalhe importante que certamente influenciou esta conclusão: foi a primeira vez que li a continuação direta de uma história.

Como todas as histórias são independentes, não me preocupei em fazer a leitura na ordem correta e hoje vejo que apesar de isso não ser totalmente necessário (embora aconselha que o faça), a experiência de leitura se torna completamente diferente ao conhecer o que aconteceu logo antes. Não apenas porque o personagem ainda carrega os dramas vividos em Um Passo em Falso, mas por ser possível ver o lado humano de uma pessoa que precisa de tempo para se recuperar de tudo o que o afligiu em um passado nem tão distante e que por isso decide fugir de tudo, colocando em risco seus próprios negócios.

Se isso basta para se ter uma noção de como Bolitar é uma personagem crível, vê-lo em ação em Detalhe Final torna isso ainda mais real. Não é a primeira vez que o agente esportivo, e detetive nas horas vagas, se envolve em um caso para buscar o bem de uma pessoa próxima a ele. No entanto, é a primeira vez que ele tem a obrigação de salvar a sua melhor amiga, Esperanza, e só quem o conhece tem consciência de que ele não medirá esforços para livrá-la das acusações.

Myron Bolitar é capaz de tudo e, por ter ao seu lado alguém como Win, não tinha dúvidas que a tendência era o resultado final ser muito, muito bom!

Claro que se tratando de Harlan Coben dizer isso se torna no mínimo redundante. Coben consegue elaborar com brilhantismo todo o enredo de sua história e tem o cuidado necessário para que cada detalhe que une passado e presente faça sentido desde o primeiro momento, ainda que neste caso especificamente só tenha compreendido o mistério quando este foi finalmente revelado. Diferente do livro anterior, permaneci no escuro até o último momento e particularmente é o que mais gosto em suspenses — e imagino que isso seja uma unanimidade. Sem contar o fato de que a dúvida é plantada, sendo impossível identificar por conta própria se Esperanza é de fato inocente ou não.

A edição do livro recém lançado possui uma série de erros de revisão, porém, felizmente, nada que prejudique a leitura, visto que coloco Detalhe Final entre os melhores títulos de Harlan Coben e por isso este merece uma edição de mesma qualidade. Não apenas por ressaltar o lado humano de seu protagonista, mas também por envolver um mistério convincente que tem Myron Bolitar — sempre ele — como a principal peça de um quebra-cabeça. E quando essa peça é colocada perfeitamente, encerrando o jogo em definitivo, mesmo os mistérios e reviravoltas são meros detalhes, tamanha a perfeição.

“Há pessoas que dizem que o beisebol é uma metáfora da vida. Myron não sabia se era verdade, mas, olhando para as linhas, perguntava-se. A linha que dividia o bem do mal não era tão diferente daquela, no campo. Com frequência, mostrava-se tão frágil quanto a cal. Tendia a desbotar com o tempo. Precisava ser constantemente redesenhada. Se muitos jogadores a pisavam, ficava manchada e borrada, a ponto de o dentro tornar-se fora e o fora dentro, de não ser mais possível distinguir o bem e o mal” (pág. 283).

Um Comentário

  1. Olá Ricardo!
    Última resenha do ano né?
    Não sou a maior fã de livros de suspense, mas suas resenhas acabam me chamando atenção para este livro. O cara é detetive quase como Hobby.
    Feliz ano novo e ótimo 2016!
    Beijos! :3

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