Eu estive aqui, Gayle Forman, tradução de Fabiano Morais, 1ª edição, São Paulo-SP:
Arqueiro, 2015, 240 páginas.
Skoob: Clique Aqui.

Com o suicídio de sua melhor amiga, Cody fica chocada e se questiona a todo instante porque não notou que algo de errado estava acontecendo com Meg. Elas viviam juntas e compartilhavam tudo o que lhes acontecia e, ainda assim, sem qualquer aviso, Meg acabou tomando um frasco de veneno sozinha num quarto de motel.

A pedido dos pais de Meg, que para ela eram como uma família, Cody viaja para a cidade em que a amiga fazia faculdade para reunir seus pertences e conhece um pouco da vida que ela levou longe da cidade natal. Ali Cody também conhece os amigos e um guitarrista com quem Meg se envolveu pouco antes de sua morte e que possui os seus próprios segredos. Mas é ao vasculhar o computador da amiga que ela descobre que nem todos os detalhes da morte de Meg estavam realmente esclarecidos.
“Mas não quero ir embora. Estou totalmente desperta e furiosa com Ben McCallister, que, como ficou claro para mim agora, fodeu com a minha amiga, em mais de um sentido. Ele por acaso a tratou como uma groupie descartável qualquer? Não percebeu que era com Meg Garcia que estava lidando? Ninguém descarta Meg” (pág. 31).
Quando se para pra pensar percebe-se que falar sobre o suicídio não é uma tarefa muito fácil. Diversos são os motivos que levam uma pessoa a atentar contra a própria vida, mas, no geral, pode-se dizer que a ausência de algo que conforte um coração machucado acaba influenciando muita coisa. Livros como Eu Estive Aqui podem fazer o papel de revelar como encontrar coragem para prosseguir após uma perda irreparável. Mas não é só isso.

No curto espaço de um mês, este é o segundo livro lido a tratar este tema tão complexo, mas diferente de Cecelia Ahern, com o seu mágico e tocante Como se apaixonar, a autora Gayle Forman trata o tema com muito mais pretensão. Ainda que a protagonista não esteja buscando a própria morte, não é um livro para ser lido apenas para passar a hora. Prova disso é que se conhecer a história de Cody e Meg não causasse ao menos uma reflexão, eu saberia que algo muito errado estava acontecendo comigo.

E digo isso muito pelo processo de aceitação enfrentado pela narradora. Quem passou pelo mesmo processo em outrora consegue compreender suas angústias com facilidade, mas a partir do momento que a morte de uma pessoa querida envolve muito mais do que o fim, se torna impossível ficar indiferente com a situação. É aí que entra o ponto alto do enredo: a amizade verdadeira.

A amizade entre Cody e Meg é uma das mais belas que existe na recente literatura jovem, ainda que uma delas seja retratada apenas através de lembranças. Exemplo: enquanto uma tem o que posso considerar a família perfeita, a outra enfrenta todo tipo de problema imaginável, mas juntas elas se completavam. Por isso foi tão difícil para Cody compreender — ou diria aceitar — que sua melhor amiga não a procurou quando mais precisou e que ela própria foi incapaz de reconhecer o momento difícil que Meg enfrentava. É compreensível que ela se sinta tão culpada por isso.

Mas a culpa acaba extrapolando os limites aceitáveis quando Cody revela o seu egoísmo e ciúmes excessivos. Muitas vezes ela questiona mais a falta de confiança da amiga do que aquilo que a motivou a cometer o seu ato irreversível, o que até determinado momento acaba influenciando a própria motivação do enredo. Eu estive aqui é vendido como um suspense, porém isso está longe de ser a verdade, muito devido a esses sentimentos que envolvem a narradora.

Por isso, sabendo quais são os verdadeiros objetivos de Cody, e tendo consciência de que o enredo seguirá por determinado caminho, o possível mistério que envolve a morte de Meg não me convenceu. Ora, um suicídio nada mais é do que um suicídio, mesmo quando há algo muito suspeito por trás deste ato, então estava claro para mim que além da amizade, outro destaque era a evolução da personagem principal. Com as motivações corretas, a chance de ela compreender suas angústias e conquistar seus objetivos seria muito maior. Não deu outra.

Contudo, a ausência de um grande mistério não impediu que o desfecho fosse a maior das maravilhas. Nada me convencia de que o foco do livro fosse a solução de uma morte suspeita, mas ao meu ver, se todo o enredo se desenvolve com esse intuito, o mínimo que deveria acontecer era uma solução plausível. Então, imagine a minha surpresa quando cheguei ao final e percebi que tudo terminaria repentinamente. Ok, pode ter sido verossímil, mas me pergunto se não haveria outras possibilidades que levassem a um final diferente.

Devido a esses pequenos detalhes, vejo Eu estive aqui como uma obra diferenciada do trabalho de Gayle Forman, uma autora que sempre me deixa com receios. O mais curioso é que não posso dizer que amei, tampouco que odiei essa experiência de leitura. O que posso dizer, com convicção, é que foi muito diferente do esperado — e de forma positiva, eu garanto.

O mais especial é saber a importância da obra ao revelar que existem pessoas dispostas a ajudar todos que precisam reencontrar um caminho de paz. Basta procurá-las no lugar certo.
“Fico tensa e sinto o estômago embrulhar. Não sei se essas pessoas tiveram algo a ver com Meg. Não sei se o autor da postagem pretendia mesmo se matar ou se chegou a tanto. Mas de uma coisa eu sei: não é tão simples “se recuperar” desse tipo de coisa” (pág. 87).

5 Comentários

  1. Olá Ricardo, tudo bem?

    Esse livro está na minha lista de desejados, li um livro da autora e gostei, mas esperava mais, então minha expectativa é baixa, mas depois da sua resenha me animei bastante...abraço.

    devoradordeletras.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  2. Olá Rick,

    desculpe-me minha ausência aqui no blog, sinto como se meu tempo fosse consumido rapidamente por todas as minhas atividades e fico com saudade daqueles tempos em que eu só estudava e passava horas na internet, escrevendo nos blogs, visitando... etc... mas sempre tenho meus cativos e o Over Shock faz parte não da minha vida de blogueira.
    Sobre a resenha:
    Já faz um tempinho que tenho esse livro mas ainda não o li, quando vi a sua resenha me deu vontade de largar tudo para ler, mas a gente tem a fila e isso dificulta as coisas (esse ano comecei com o pé esquerdo só consegui ler 1 livro até agora, tô com uma ressaca literária daquelas...)

    xoxo
    Mila F.
    @camila_marcia
    www.delivroemlivro.com.br

    ResponderExcluir
  3. Oi
    que bom que gostou da leitura desse livro, sempre vejo comentários positivos e a história parece ser muito boa e quero saber como tudo acontece, quem sabe eu consiga ler esse ano e que bom que a história te tocou. Elas eram próximas, mais nem sempre podemos perceber o que acontece com as pessoas a nossa volta.

    momentocrivelli.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  4. Hey Ricardo!!! Tive que vir conferir o que você achou do livro depois que você passou lá no blog e viu que eu simplesmente não gostei nem um pouco dele!! E fico feliz que você não tenha desgostado dele por completo assim como eu fiz!! Mas que ainda assim você acabou ficando no muro!!!
    Não vou desistir da Gayle, mas esse eu poderia não ter lido rsrs

    Xo
    Alisson
    Re.View

    ResponderExcluir
  5. Olá Ricardo!
    Nunca li nada dessa autora. Mas achei a premissa do livro bem legal. O suicídio é uma temática interessante e pesada de ser abordada. Deve realmente ser feita com cuidado!
    Nunca passei por nada parecido para entender como é. Mas com certeza seria uma ótima leitura.
    Beijos!

    ResponderExcluir