O Alquimista, Paulo Coelho, 1ª edição, Rio de Janeiro-RJ:
Sextante, 2015, 176 páginas.
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Santiago é um jovem pastor que decide descobrir o significado de um sonho repetido. Nessa busca ele descobre que, segundo o sonho, ele encontrará um tesouro enterrado junto às pirâmides do Egito, por isso o rapaz resolve sair da Espanha e partir em uma longa viagem para encontrar este tesouro. Contudo, a jornada pelo deserto, que deveria ser em busca de bens materiais, se transforma em um encontro com as maiores riquezas que cada pessoa carrega dentro do coração.
“As pessoas dizem coisas muito estranhas, pensou o rapaz. Às vezes é melhor estar com as ovelhas, que são caladas e apenas procuram alimento e água. Ou é melhor estar com os livros, que contam histórias incríveis sempre nas horas que a gente quer ouvir. Mas, quando a gente fala com pessoas, elas dizem certas coisas e ficamos sem saber como continuar a conversa” (pág. 36).
No último ano, o livro O Alquimista, principal trabalho do escritor Paulo Coelho, atingiu a marca de sete anos na lista dos mais vendidos do The New York Times. Não dá para negar que isso deixa claro que a obra possui algo de muito especial, mas antes da leitura sequer imaginava o que poderia ter transformado este em um livro atemporal e só agora tudo passou a fazer sentido.

Publicado originalmente em 1988, O Alquimista segue um estilo bem parecido com os dois últimos livros do Mago: Manuscrito Encontrado em Accra e Adultério. Ou seja, o autor se utiliza de um enredo simples para transmitir as muitas reflexões essenciais para o desenvolvimento de suas personagens — e talvez por isso, lamentavelmente, seu trabalho seja tão questionado. A diferença é que neste caso as palavras, capazes de transformar corações e pensamentos, me cativaram de um modo muito mais intenso e ainda nas primeiras páginas.

Desde o primeiro momento Santiago é uma personagem realista e isso se deve muito a forma como ele se abre aos ensinamentos e também por sua busca determinante pela realização de seus sonhos. Tais ensinamentos visam única e simplesmente revelar a “Lenda Pessoal” de todas as pessoas, que devem cumprir suas missões e desejar todos os seus sonhos do fundo do coração. Afinal, como diz a frase usada para vender a obra, “o Universo conspira para que você realize seu desejo” quando você quer alguma coisa.

O mais interessante, no entanto, é que todos esses ensinamentos são transmitidos por personagens peculiares que cruzam o caminho do protagonista ao longo de sua busca pelo tesouro. Desde a velha capaz de interpretar sonhos, até ao próprio alquimista que dá título ao livro, todos, sem exceção, devem ser compreendidos de um modo particular. Mas a magia existe porque, ao meu ver, a tendência é que cada leitor interprete tudo de acordo com o momento que estiver enfrentando em sua vida.

Com isso, embora seja um livro que não siga uma estrutura tradicional, tampouco apresente reviravoltas e acontecimentos memoráveis, ele tem a já citada simplicidade e por ela que me dediquei a leitura em um único dia. Em alguns casos o fator motivador seria a curiosidade em descobrir qual seria o famoso tesouro, porém o que queria mesmo era evoluir juntamente com Santiago e isso de fato acontece.

Mas digo isso mesmo sabendo que uma única leitura — confesso que até mesmo apressada — não foi suficiente para que O Alquimista mostrasse o seu verdadeiro valor. Hoje sou capaz de compreender que a moral deixada por este livro deve ser levada em consideração, e talvez explique o seu sucesso em todos os países em que foi publicado, mas é preciso lê-lo com a calma e a atenção que um livro clássico merece. E com esta nova e belíssima edição ficará fácil uma hora ou outra resolver reler o melhor livro do escritor brasileiro mais conhecido no mundo.
“E isto era chamado de Amor, uma coisa mais antiga que os homens e que o próprio deserto, e que no entanto ressurgia sempre com a mesma força onde quer que dois pares de olhos se cruzassem como se cruzaram aqueles dois pares de olhos diante de um poço. Os lábios finalmente resolveram dar um sorriso, e aquilo era um sinal, o sinal que ele esperou sem saber durante tanto tempo em sua vida, que tinha buscado nas ovelhas e nos livros, nos cristais e no silêncio do deserto” (pág. 106).

2 Comentários

  1. Olá Rick...

    esse foi o primeiro livro do Paulo Coelho que li na minha vida, encantei-me com a história, tanto que li outros, mas esse é um queridinho... a minha edição é beeeeeem antiga, mas uma querida minha. Sem dúvida um livro bastante reflexivo que nos lança a uma imensidão de reflexões sobre vários aspectos da vida.

    xoxo
    Mila F
    www.delivroemlivro.com.br

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  2. Olá Ricardo!
    Nunca li nada do Paulo Coelho, espero um dia ter a oportunidade.
    Este livro dele é o mais falado e famoso. E adorei saber um pouco mais sobre ele come esta resenha!
    Beijos!

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