Ligeiramente Maliciosos, Mary Balogh, tradução de Ana Rodrigues, 1ª edição, São Paulo-SP:
Arqueiro, 2015, 288 páginas.
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Um acidente com a diligência em que viajava era tudo o que Judith Law não precisava. No entanto, o que estava indo de mal a pior ganha um novo rumo quando ela é resgatada por Ralf Bedard, um atraente cavaleiro que se disponibiliza a levá-la até a estalagem mais próxima. Essa é a grande oportunidade de Judith se aventurar em algo novo, por isso ela se apresenta como a experiente atriz Claire Campbell e acaba se envolvendo em uma inesquecível noite de amor.

No entanto, Judith não é a única a usar uma identidade falsa. Ralf, na verdade, é o lorde Rannulf Bedwyn, que está indo cortejar a sua futura noiva, uma prima de Judith. Quando os dois se reencontram e a verdade é revelada, a confusão de seus sentimentos está formada e eles precisam controlá-los ou então decidir se entregar de vez a uma paixão que ultrapassa os limites impostos pela sociedade.
“Era para ela ter interrompido aquele ato assim que ele entrara no quarto, mas agora não importava mais. O bom senso, o decoro e a moralidade lhe mostrariam toda a extensão de seu erro à luz do novo dia. Aquela era a noite que daria calor e significado ao restante da sua vida. Judith tinha certeza disso. Seria uma mulher perdida… mas quem saberia? E quem se importaria?” (pág. 36).
Não criar expectativas por um livro é sempre a melhor opção para se ter uma experiência agradável de leitura. Foi exatamente o que aconteceu com Ligeiramente Maliciosos, lido sem qualquer expectativa, mas, desde o início, com a certeza de que Mary Balogh apresentaria, se não um livro perfeito, uma história de amor encantadora como qualquer outro enredo de época. Não deu outra.

No entanto, por muito pouco os primeiros capítulos não me decepcionaram, a ponto de imaginar que este livro seria completamente inferior ao seu antecessor, Ligeiramente Casados. Isso porque nunca um casal protagonista se conheceu e passou uma noite juntos com uma rapidez tão grande, sem qualquer tipo de conquista ou mesmo preliminares. A princípio vi isso como um exagero desnecessário, que poderia influenciar toda a magia natural do gênero, mas logo percebi que estava ligeiramente enganado.

O engano se deve a um único motivo: mesmo apressando coisas que poderiam ser melhores desenvolvidas, sem necessidade de sequer estender o tempo de passagem da história, Balogh dá uma explicação plausível a tudo o que acontece e quando um autor consegue este feito até as mais estranhas situações — como as mentiras, por exemplo — podem ser vistas com outros olhos. Prova disso é que pouco depois da primeira noite juntos, Rannulf tem uma atitude que poderia ser questionável, mas que em seu interior revela porque as histórias que se passam no século XIX são tão encantadoras: o respeito é o maior aliado do amor.

Mas se existe o respeito por parte dele, o mesmo não pode ser dito sobre o núcleo principal da história. Judith conheceu o homem que mudaria a sua vida apenas pelas dificuldades financeiras que sua família vinha enfrentando, o que a obrigou a ser enviada para a casa de uma tia onde passa a ser uma simples serviçal, cuidando da avó e participando de eventos sociais como se fosse uma pobre qualquer. Porém… e sempre tem um porém… o pior era ter de enfrentar pessoas tão desprezíveis.

E como este livro tem personagens que são simplesmente insuportáveis!

Claro que personagens como esses, em um livro repleto de clichês, dão origem a situações que tornam todo o desenvolvimento do enredo previsível, sem tirar assim a graça por trás dos eventos sociais que são explorados em grande estilo, por sinal. Diria inclusive que são os bailes e os encontros que acontecem ao longo do livro que o torna especial, ainda que em sua parte final, quando alguns dos Bedwyns se reúnem, algumas surpresas que particularmente não esperava foram reveladas e me conquistaram de vez.

Aliás, ainda que o romance entre Rannulf e Judith seja um ponto forte, e suas personalidades tenham sido desenvolvidas com esmero, assim como Mary Balogh brilhantemente fez no livro anterior, nada é capaz de superar o impacto causado pelo duque de Bewcastle, o mais velho dos irmãos. Este personagem, frio e tão direto, consegue se sobressair em cena e mesmo sendo secundário, é quem mais se destaca, por isso desde já imagino que o seu livro será o melhor de toda a série.

Se isso significa que vou continuar me envolvendo com as histórias da série Os Bedwyns? Sem dúvida! Pode não ser o meu gênero favorito na literatura, porém a cada nova leitura de um romance de época, tenho ainda mais certeza de que nasci no século errado e para compensar este pequeno detalhe irreversível, nada melhor do que prosseguir com leituras que revelam a sensualidade e as malícias de um amor intenso. Sempre com a delicadeza e o encanto que a autora transmite com muita naturalidade.
“Talvez tenha sido naquele momento que percebeu como fora reticente na última semana em dar nome ao que sentia. Não era desejo, ternura, afeto ou companheirismo o que sentia por Judith Law, embora tudo isso estivesse incluído naquele sentimento que relutara tanto em denominar.
Ele a amava” (pág. 184).

3 Comentários

  1. Olá Ricardo!
    Eu conheço esse livro pelas minhas andanças na internet.
    Eu gosto de romances de época, mesmo que não tenha lido muitos. Também acho que nasci no século errado talvez.
    A premissa do livro é até clichê, mas só esse início já dá um tom diferente, como você mesmo disse: Eles ficam juntos na primeira noite.
    Beijos! :3

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  2. Olá Ricardo, tudo bem?
    Amei! Não li essa série ainda, apesar de Ligeiramente casados estar na minha lista ainda não tinha curiosidade nos outros livros. E eu estou viciada em romances de época hehe.
    Além disso, eu tenho um fascínio por capas, claro que eu não escolho um livro pela capa, mas toda capa bem elaborada chama a atenção, e essa! É maravilhosa!

    Beijos,
    Paula Santos-http://leitoraneurotica.blogspot.com.br/

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  3. Olá Ricardo,

    Essa ´serie ainda não me despertou interesse, pelo menos por enquanto, também gosto de romances de época e também acho que nasci na época errada....kkk.....abraço.


    devoradordeletras.blogspot.com.br

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