Não Olhe!, FML Pepper, 1ª edição, Rio de Janeiro-RJ: Valentina, 2015, 352 páginas.
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A reviravolta que aconteceu na vida de Nina em Não Pare! foi apenas uma pequena amostra do que ela ainda teria de enfrentar. Agora, quando acorda na sombria Thron, após ser levada por Rick, um resgatador cruel e pouco confiável, Nina já está em uma jornada sem volta, em que precisará enfrentar seus medos e fugir das mãos de seus inimigos, ao mesmo tempo em que tenta desvendar os segredos de sua identidade. Sem contar que deve lidar com as vontades de seu coração, que pode reservar surpresas nada agradáveis.

Essa premissa de Não Olhe! pode até estar batida no atual cenário da literatura jovem, porém sempre dizem que a primeira imagem é a que fica e não teria coragem de discordar dessa afirmação. O fato é que a autora FML Pepper me surpreendeu no primeiro livro da trilogia Não Pare!, best-seller da Amazon, por isso, diferente do que aconteceria em outras situações, em nenhum momento tive receio de me decepcionar com esta nova leitura.

O grande problema é que o desfecho do livro anterior gerou uma série de perguntas que esperava que fossem simplesmente respondidas com o novo livro. As respostas até surgem de forma natural, como de fato deveria ser, porém não sem antes acontecerem muitas situações que particularmente não esperava encontrar. É bem verdade que anteriormente algo semelhante aconteceu, porém o que antes considerei necessário para a construção da personalidade da protagonista, agora não passou de um excesso que poderia ser descartado.

Quando digo isso me refiro ao relacionamento de Nina e Richard. A instabilidade dessa relação chegou a me irritar com uma frequência muito grande, em especial porque as duas personagens passam capítulos inteiros discutindo sobre seus sentimentos e não saem do lugar. Chegou ao ponto de ser possível pular um capítulo sem que se perca absolutamente nada de importante, o que não apenas atrapalhou o desenvolvimento do enredo, como também despertou em mim um sentimento de desprezo para com essa relação. Da minha parte, sem qualquer remorso, os dois seriam separados para nunca mais se reencontrarem.

Mas como sou um mero leitor, em busca das soluções de todos os mistérios, tive de relevar essa situação com a esperança de que as qualidades ressaltadas com “Não pare!” não fossem apenas sorte de principiante. Neste caso, para a minha sorte, o que realmente me interessava reservou bons momentos durante a leitura, ainda que tudo estivesse longe de demonstrar uma evolução entre as duas obras. Me parece ser o caso de uma autora que preferiu se manter em uma zona de conforto, o que não quer dizer que tenha sido uma opção equivocada.

A verdade é que aos poucos Pepper revela o que existe de melhor em sua trilogia: uma mitologia convincente e que muito me agradou desde o primeiro momento. Como Nina está em constante movimentação, visto que a sua vida é de um valor imenso para os zirquianos, não foi possível se aprofundar em tudo o que este enredo pode oferecer, no entanto o pouco revelado reafirma o que disse anteriormente ao classificar essa trilogia como original. Só lendo para entender.

Ainda que não se aprofunde por completo, FML Pepper conseguiu surpreender no desenvolvimento de seu enredo, explorando lendas e maldições, e destacando o clima sombrio de Zyrk — o resultado são ótimas cenas de ação e encontros memoráveis. Mais do que isso, a autora ainda acertou na construção das suas personagens, deixando bem claro o papel de cada uma delas para todo o contexto.

Contudo a história ainda está longe de chegar ao fim. O final, tão acelerado quanto o do livro anterior, e com uma revelação surpreendente, mais uma vez cria um nó que agora só pode ser desfeito com a leitura de “Não fuja!”, livro que espero ter mais ação, mais mitologia, mais respostas e menos frufrus que não levam a lugar algum.
“Eu era uma espécie de ímã para os zirquianos e uma ameaça para mim mesma. Ao mesmo tempo que os sugava para o meu campo gravitacional, eu acabava me colocando em perigo. Eles tinham a capacidade de sugar a essência da vida e desempenhavam uma única função que eu não poderia esquecer em hipótese alguma: todos naquela dimensão nada mais eram que a Morte, literalmente” (pág. 133).

Um Comentário

  1. Adoreeeeeei a resenha, Ricardo!
    Concordo com praticamente tudo que disse e, se cabe uma defesa da minha parte (kkk), o livro tem uma narradora feminina e, portanto, a história acaba tendo uma pegada feminina ( sim! Também sou culpada disso! kkk) e que, com certeza, nem sempre agrada ao universo masculino, bem mais pragmático com relação a essas questões do coração.
    Ri muito com relação ao seu ódio da relação Rick x Nina. Acho que, no fim das contas, acabei conseguindo o que desejava (não tanto, claro!): criar uma sensação de desconforto no leitor. Era exatamente o que pretendia: mostrar o desenvolvimento de um sentimento conturbado e uma relação conturbada em meio a um mundo conturbado. De qualquer forma, saiba que sua resenha ficou magnífica e, como já disse antes, você tem o raro dom de ser direto ao ponto, com a qualidade ímpar nas escolhas das palavras sem, no entanto, parecer crítico ou bajulador demais. Amo isso.
    Com carinho e beijocas,
    Pepper
    OBS: Acho que, apesar de tudo, Não Fuja! vai surpreendê-lo positivamente. ;)

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