O nome de Deus é misericórdia, Papa Francisco, tradução de Catarina Mourão, 1ª edição, São Paulo-SP:
Planeta do Brasil, 2016, 144 páginas.
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Ainda me lembro, como se fosse ontem, da minha reação quando foi anunciado ao mundo a eleição de Jorge Mario Bergoglio como líder da igreja católica apostólica romana. Em um primeiro momento alegria pela escolha de um latino-americano, mas logo na sequência um misto de encanto e admiração pelo senhor que em suas primeiras palavras como sumo pontífice surpreendeu por ser a simplicidade em pessoa. De lá para cá a admiração pelo Papa Francisco apenas aumentou.

Dito isso, não é nenhuma surpresa que o meu interesse por O nome de Deus é misericórdia tenha sido despertado tão logo soube de sua publicação. Mesmo antes de ter detalhes sobre o livro, ele estava na lista de livros para ser lidos, ainda que não se enquadre em nenhum dos meus gêneros favoritos. A verdade é que se fosse outro papa não teria o mesmo interesse, assim como se fosse outro papa o livro não tocaria o meu coração como aconteceu.

Essas palavras podem ser radicais, mas é preciso deixar claro que a explicação é que Francisco consegue algo que poucos líderes religiosos são capazes: estreitar a relação para com os fiéis de sua igreja. Ao menos para mim, ele sempre foi mais um amigo de longa data, pronto para acalentar meu coração com palavras doces e sinceras, do que o líder máximo de minha igreja. O nome de Deus é misericórdia é a maior prova disso.
“Deus é um pai zeloso, atento, pronto para acolher qualquer pessoa que dê um passo ou que tenha o desejo de dar um passo na direção de casa. Ele está ali a observar o horizonte, nos aguarda, já está à nossa espera. Nenhum pecado humano, por mais grave que seja, pode prevalecer sobre a misericórdia ou limitá-la” (pág. 85).
Apesar de ser o primeiro livro de sua santidade, este pode ser visto como um trabalho escrito em coautoria com o vaticanista Andrea Tornielli. Tudo começou em março de 2015, quando o papa proclamou o Ano Santo da Misericórdia, jubileu extraordinário iniciado em 08 de dezembro e que se estenderá até 20 de novembro. Sendo um evento de extrema importância para a igreja, Tornielli planejou uma entrevista exclusiva, visando que Francisco explorasse temas essenciais para este momento de reflexão e oração, como o perdão.

De modo simples e direto, como costumam ser todos os seus sermões e discursos, Francisco responde questões que não apenas explicam o que o levou a proclamar um jubileu, dez anos antes do esperado, como também o significado da misericórdia para a igreja, quanto instituição religiosa, e aos seus fiéis espalhados pelo mundo. Não sendo um livro catequético, mas sim uma conversa como outra qualquer, as respostas são de fácil assimilação e, consequentemente, a leitura é muito rápida.

Entre outros temas tratados pelo papa estão os pecados, o sacramento da confissão e mesmo a compaixão, fazendo um paralelo desse sentimento com a própria misericórdia tão citada ao longo de toda a conversa entre Francisco e Tornielli. Mas o que torna o livro especial é o modo como o papa se utiliza de passagens bíblicas (parábolas, por exemplo), frases de seus antecessores e mesmo passagens de sua vida pessoal para contextualizar com precisão todas as suas palavras. É exatamente a simplicidade da escolha de suas palavras que o aproxima de seu leitor.

Ainda que trate de um tema específico de uma instituição religiosa, inclusive mostrando que a igreja deve se redescobrir para atingir seus objetivos, O nome de Deus é misericórdia vai muito além de um livro católico. Esse é definitivamente um livro humano, assim como muitos dos ensinamentos que Francisco vem pregando ao longo de seus três anos de pontificado. E embora mostre como Deus é misericordioso com todos, doando-se e perdoando a quem O procura, o pontífice revela também que nós, como pessoas, devemos ser capazes também de perdoar, de ouvir e de ajudar o próximo.

Dividido em nove temas, o primeiro livro do Papa Francisco tem o poder de emocionar e ao mesmo tempo levar à reflexão, revelando mais uma vez um lado muito especial do atual bispo de Roma e o motivo que me faz vê-lo como uma das minhas principais inspirações: o seu modo de agir e pensar.
“Espero que o Jubileu Extraordinário faça emergir cada vez mais o rosto de uma Igreja que redescobre as entranhas maternas da misericórdia e que vai ao encontro de tantos “feridos” necessitados de escuta, compreensão, perdão e amor” (pág. 87).

3 Comentários

  1. Olá Biazotto.

    Primeiramente parabéns pela resenha. E mesmo não sendo tão religiosa como você próprio sabe admiro muito o Papa Francisco e pelo que sua resenha diz e o que já pensava me sinto com mais vontade de conhecer esse escrito.

    Beijos!

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  2. Oie
    Não conhecia o livro, mas gosto de livros como este.Fiquei com vontade de ler.
    Parabéns pela resenha!!

    Beijos
    http://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com.br/

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  3. Olá Ricardo!
    Nem preciso dizer que adorei essa resenha. Não tive oportunidade de ler o livro, mas suas palavras sobre ele já conseguiram me dar um gosto do que posso encontrar por lá.
    Beijos!

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