O Despertar do Príncipe, Colleen Houck, tradução de Fernanda Abreu, 1ª edição, São Paulo-SP:
Arqueiro, 2015, 384 páginas.
Skoob: Clique Aqui.

Liliana Young leva uma vida dos sonhos, mas o luxo proporcionado pela riqueza de seus pais tem um preço e, além de conviver com as regras impostas por eles, ela ainda tem de convencê-los a deixá-la escolher a sua própria profissão. Ainda em dúvida sobre essa situação, Lilly visita o Metropolitan Museum of Art, em Nova York, e esbarra com a múmia de um príncipe egípcio que acaba de despertar de um sono de mil anos.

O encontro com o príncipe Amon é apenas o início de uma reviravolta na vida de Lilly. Sem qualquer resistência, ela acaba seguindo Amon até o Vale dos Reis, no Egito, onde deve ajudá-lo a reencontrar com seus dois irmãos adormecidos, a fim de realizar uma cerimônia que pode salvar a humanidade dos malignos planos do deus Seth, o deus do caos. Para isso, eles devem lutar contra o tempo!
“Se sabia alguma coisa sobre o amor, era que valia a pena lutar por ele, mesmo que eu precisasse usar uma espada para protegê-lo. O milagre de encontrar o amor, o amor de verdade, era raro o suficiente para fazer o dever e a obrigação terem que se esforçar para enfrentar a concorrência” (pág. 198).
Embora esteja longe de ser uma das minhas autoras favoritas, Colleen Houck conseguiu algo que ao meu ver foi muito importante: me conquistar o suficiente para que não deixasse de ler o seu mais recente trabalho. Apesar disso, por quase oito meses o livro O Despertar do Príncipe permaneceu intocado em minha estante, muito devido aos meus receios vindos das experiências anteriores, mas hoje posso dizer que me arrependo por tamanha demora.

Diferente da série A Maldição do Tigre, o primeiro livro da série Deuses do Egito reserva surpresas que vão muito além da impecável mitologia brilhantemente explorada por trás de seu enredo. Uma diferença fundamental está em relação ao ponto mais negativo dos livros anteriores: a protagonista. E como uma protagonista agradável faz total diferença…

Se Kelsey era uma personagem irritante, Lilly, por sua vez, é uma garota espirituosa e sarcástica na medida certa. A impressão é que Houck não apenas corrigiu seus erros na construção de sua primeira protagonista, como soube fazer de sua segunda protagonista alguém para ser lembrada. Mas vou mais além: ela mostrou que o que fez anteriormente era estritamente necessário, embora como leitor ainda discorde de suas escolhas — assim como discordo em alguns pontos desse livro, porém é preciso deixar em off para evitar revelações desnecessárias.

Voltando ao que interessa, não é apenas a personalidade de Lilly que a torna especial. Como o foco da autora aparentemente sempre será o romance, Lilly precisaria de um parceiro (espero que dessa vez um único parceiro!) que a completasse, o que Amon consegue fazer em grande estilo. No início ele é um marinheiro de primeira viagem, que depende de Lilly para tentar se adequar a todas as mudanças que aconteceram no mundo em mil anos, o que gera cenas muito divertidas, porém logo ele se transforma no par perfeito para ela, agindo como um legítimo príncipe.

A maior prova da sintonia entre eles é a minha torcida para que ficassem juntos, o que jamais aconteceu nos títulos da série supracitada.

Falando assim até parece que o melhor de O Despertar do Príncipe é o relacionamento entre Lilly e Amon, mas obviamente que não é o caso. Está muito longe de ser o caso, afinal a autora enrola muito para chegar ao que era óbvio desde a sinopse. Ao se focar na mitologia egípcia, Houck tem em mãos uma riqueza de detalhes que dá um brilho a mais ao seu enredo. O fato de os deuses egípcios serem mais conhecidos, pelo menos por mim, torna tudo mais intimista, consequentemente o interesse pelas lendas envolvendo os deuses é muito grande. Ao longo de toda a leitura eu queria sempre muito mais da mitologia e das magias, dos conflitos entre os deuses, de conhecimento sobre o Egito Antigo, etc. É inegável que agora o fascínio pela cultura egípcia ganhou outras proporções.

Sabendo como Colleen Houck trabalha seus livros, dá para imaginar que os próximos volumes da série Deuses do Egito reservarão muitas surpresas e pessoalmente espero encontrar novas maldições e muitas outras cenas de ação. A tendência é que a série melhore com o passar do tempo, porque obviamente tem capacidade para isso.

Isso fica claro com o primeiro desfecho, visto que mesmo onde tudo parecia estar resolvido algumas incertezas deixaram mistérios em aberto. O resultado é a grande curiosidade pela continuação, que não apenas deve tirar dúvidas como intensificar o que mais aprecio no trabalho da autora: a maestria com que trabalha as mitologias, mesmo quando o foco não é exatamente a mitologia propriamente dita. E por não ser possível evitar as comparações, posso dizer que os receios foram por água abaixo e essa foi uma grata surpresa.
“Um grito de pássaro ensurdecedor atraiu minha atenção outra vez para Asten. Em vez do belo príncipe egípcio, uma ave branca reluzente, grande o suficiente para fazer frente ao verme gigante, avançava e recuava dentro d’água sobre patas compridas. Parecendo muito à vontade, abaixou a cabeça na minha direção e tocou delicadamente meu ombro com seu bico afunilado” (pág. 248).

2 Comentários

  1. Olá Ricardo!
    Eu também sou apaixonada pela mitologia egípcia, mesmo que não a entenda tanto quando você.
    O livro apresenta uma proposta diferente. Nunca li nada desta autora, com certeza será uma boa pedida.
    Beijos!

    ResponderExcluir
  2. Oii Ricardo, tudo bem?
    Só li alguns livros da "Saga do tigre" dessa autora, comecei a ler o "O despertar do príncipe", achei muito parecido com o primeiro livro e não me animei mais para ler... Mesmo se tratando de um tema que eu me interesso tanto, acho que daqui a um tempo vou tentar dar uma segunda chance kkkkk
    Adorei seu blog, já estou seguindo :)
    Beijos,
    Isa – Night Phoenix Books

    ResponderExcluir