A história da mitologia para quem tem pressa, Mark Daniels, tradução de Heloísa Leal, 1ª edição, Rio de Janeiro-RJ: Valentina, 2015, 200 páginas.
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As mitologias são um dos temas que mais despertam a minha atenção, não por menos sempre vejo com curiosidade todos os livros e filmes que tratam o assunto, mesmo quando isso é totalmente superficial. Esse é o caso de A história da mitologia para quem tem pressa, que como o título sugere, está longe de ser um estudo aprofundado, mas tem o seu valor para os apreciadores da temática.

A missão do jornalista freelancer Mark Daniels era basicamente reunir em um único livro, e o mais conciso possível, um material que atendesse as necessidades do mundo atual, em que tudo deve ser rápido e de fácil compreensão para não ser completamente descartável. E tal missão foi concluída com sucesso, apesar dos poucos pesares que devem ser comentadas pelo simples fato de que, se inexistentes, tornariam o resultado final ainda mais especial.

Embora tenha seus pontos negativos, como será mencionado abaixo, o livro é um prato cheio aos amantes das histórias de seres mitológicos e de lendas espalhadas pelo mundo, responsáveis pela construção da sociedade mundial como a conhecemos. Ao ser objetivo em seu trabalho, Daniels explora muitas culturas importantes sem deixar nada a desejar em relação aos livros mais técnicos e específicos sobre o assunto abordado. Assim conhecemos as desconhecidas histórias do povo maori, as excentricidades dos deuses nórdicos e mesmo as teorias apocalípticas dos maias.

No entanto existe uma desproporção no foco dado a uma ou outra cultura, e obviamente a opção foi dar um maior destaque para duas das mais conhecidas e já muito estudadas mitologias: a grega e a romana, com os seus deuses, suas lendas e suas características próprias, como o surgimento de Roma. Claro que é preciso levar em conta que sendo mais ricas, consequentemente se tem mais coisas para se falar, porém isso acabou obrigando uma espécie de seleção, levando a outro ponto importante.

Ao optar por destacar essas duas mitologias, dedicando a elas mais de cinquenta páginas, o autor deixou de lado mitologias tão importantes quanto todas as demais, como a belíssima crença indiana, e isso acaba fazendo falta. Ainda que esse detalhe não diminua o valor do livro como um todo, é inegável que o conjunto se tornaria muito mais rico com outras culturas também sendo abordadas. No entanto, o mais importante é que todo continente teve ao menos um representante e essa diversidade continental me levou a uma inesquecível viagem pelos quatro cantos do mundo.

Por falar nisso, muitas são as histórias sobre a criação do mundo, assim como as lendas que envolvem deuses de todas as culturas. Conforme essas histórias são reveladas, o autor se preocupa em mostrar as semelhanças entre todas elas, afirmando assim que embora de épocas e regiões distintas, todas podem se encontrar em algum momento — e é curioso pensar nessas inesperadas coincidências.

Dos gregos aos romanos, dos chineses aos egípcios e dos maoris aos astecas, sem contar algumas outras tradições destacadas, a obra de Mark Daniels pode ser vista como um guia para a iniciação de estudos mais aprofundados ou simplesmente para conhecimento do passado. E o que destaca este guia certamente são as tabelas, gráficos e ilustrações, que o deixam mais completo, apesar da simplicidade, e a linguagem didática capaz de seduzir até os mais desinteressados.
“Parece estranho que uma civilização tão orgulhosa tenha tido um começo tão pouco auspicioso, mas talvez tenha sido esse senso de orgulho arrogante que tornou os romanos tão bem-sucedidos: seu sentimento de superioridade lhes permitiu expandir o império com força inigualável. E, com um mito tão arrojado como ponto de partida, talvez os romanos tenham dado ao seu povo um senso de direito que favoreceu o império” (pág. 145).

Um Comentário

  1. Olá Ricardo!
    Também sou uma grande amante de mitologia, mesmo que não conheça tanto assim. Um livro desses para mim seria um prato cheio, até em relação aos conhecimentos das duas mais conhecidas.
    Com certeza ia adorar ler!
    Beijos!

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