Cesar Bravo é um autor revelação de terror, e o mais novo autor da DarkSide Books. Convidamos o autor para um bate-papo e para que os leitores do Over Shock conheçam mais dos autores da casa da caveira.

A dra. Rin Hiromatsu, Ph.D. em neurociência da Universidade de Kobe, criou um teste composto de cinco perguntas que segundo pesquisa e farta bibliografia, podem estabelecer a personalidade do sujeito. De posse desse questionário metafísico iniciamos nossa entrevista com as cinco perguntas, também conhecido como o Teste Hiromatsu:
1. (x) Marvel ou ( ) DC
2. (x) Jovem Nerd ou ( ) Omelete
3. ( ) Futebol ou (x) Basquete
4. ( ) Twitter ou (x) Facebook
5. (x) Bolacha ou ( ) Biscoito

Agora que já sabemos quem você é, vamos às perguntas: existe um CPF Cesar Bravo ou é um pseudônimo?
Cesar Bravo é um Alter ego, não gosto muito do termo pseudônimo. Acredito que ‘Cesar’ tenha nascido para dizer e escrever o que eu não conseguiria com minha personalidade-mãe. Em dado momento de minha carreira, precisei de total isolamento, foi como Cesar Bravo que consegui.

Cesar, você costuma usar técnicas literárias de roteiro em sua escrita? Acredita que é possível escrever uma boa história que não se encaixe no esquema Jornada do Herói?
A utilidade da Jornada do Herói é indiscutível, usei algumas vezes, mas sinceramente não acredito unicamente em fórmulas — mesmo que um bom livro, um romance interessante contenha muito de suas bases. Mas, para início, um escritor precisará desses esquemas, para aprender como compor uma história. Quando comecei com a escrita dediquei muito tempo à material teórico, traduzi obras estrangeiras pela escassez do que tínhamos por aqui, aprendi bastante. Depois do terceiro ou quarto livro, essas informações passam a fazer parte de você como autor. O que eu não recomendo na escrita é rigidez, eu aposto muito no inusitado. Outro ponto fundamental é a construção de personagens. Dedico muito tempo a eles, sei de onde vêm, seus anseios, tento tratá-los como gente de carne e osso. Sem isso, nenhuma história tem chance.

Livro é obra de arte ou produto?
Existem alguns estágios. Quando você escreve, sua intenção é que seu texto seja uma obra de arte. Toda sua fé, sua capacidade; suas esperanças são lançadas nas páginas. Depois que o livro ganha o mundo, goste ou não ele se tornou um produto. Ele será comprado, lido, avaliado, comentado, recomendado ou execrado. Com muita sorte, ele voltará a ser considerado obra de arte, mas é um caminho para poucos.

Você acredita no Wattpad? Vale a pena oferecer seu trabalho de graça?
Responderei com outra pergunta: As avaliações mais sinceras vêm de um consumidor que pagou pela obra ou de alguém que a obteve de graça?
Creio que o Wattpad seja um caminho inicial. Darei um exemplo.
Suponha que você tenha um primeiro trabalho. Você nunca mostrou a ninguém, salvo sua família e amigos próximos (nada confiável, hã?). Creio que seria interessante disponibilizar alguns capítulos, para laboratório. O que eu não faria é disponibilizar um livro completo. Ainda assim reconheço que alguns autores vieram dessa plataforma expondo o trabalho na íntegra. No fundo, tudo é válido, desde que você esteja aberto à críticas e tenha muita força de vontade.

Sua literatura é bem cinematográfica. Notamos seu trabalho cena a cena, o cinema é sua maior inspiração?
É uma grande inspiração, mas a maior ainda está no dia-a-dia. O que procuro obter do cinema é o interesse do público. Vivemos hoje em um mundo rápido, ágil, quase ensandecido. Para ser lido você precisa captar essa linguagem, tomar parte dela, oferecer o que as pessoas pedem e se interessam em ler. Julgo admirável, no bom cinema, o modo como ficamos presos à tela; em nossas casas, como um comercial pode ser frustrante, invasor e agressivo. Meu objetivo é manter o leitor grudado nas páginas, assim como nos bons filmes.

O Horror! Você acredita que poderia escrever em outro gênero?
Sim. Já escrevi dois livros de ficção científica (sobre viagem no tempo e dimensões paralelas), e alguns romances policiais (com pitadas de sobrenatural). Não tenho limitações ao escrever, embora o que mais me atraia e me deixe à vontade seja mesmo o horror. Gosto de provocar sensações, um bom livro de horror faz isso com maestria.

Em uma entrevista recente, você disse que o melhor livro que já escreveu ainda não havia sido publicado, o qual trata do horror de um garoto morto. É esse livro que vai sair pela DarkSide Books? O que esperar do futuro Cesar?
O livro que você citou é muito diferente do que eu havia escrito até então. É uma fantasia sombria, menos gore/mais sentimento, um relato do outro lado e de como ele interfere no mundo real sob as circunstâncias certas. Ainda não sei se é o melhor trabalho, mas acredito que tenha uma boa chance no mercado atual. Não será esse o primeiro livro a ser publicado — mas os leitores vão gostar do quem vem por aí, tenho certeza. Sobre esse futuro Cesar, esperem o melhor. Eu não oferecia menos a vocês. O que virá das mãos mágicas da DarkSide é meu disparo mais potente. Passamos muito tempo escolhendo qual trabalho seria lançado, estou confiante.

Como foi sua contratação pela DarkSide Books? Eles entraram em contato com você ou você tinha enviado o texto para avaliação?
Segui o protocolo. Enviei vários textos a eles (desde o início, quando a editora começou), dei tempo para que avaliassem o material. Estamos conversando há muito tempo, e foi uma grata surpresa quando eles entraram em contato. A DarkSide é muito transparente em seu modo de agir. Uma editora que respeita o autor, arrojada, com uma garra e coragem que eu ainda não tinha visto em nosso mercado. Mas os jovens escritores precisam ter algo em mente. Você precisa ter leitores, antes mesmo de entrar em contato com as grandes editoras. Em uma das perguntas acima, falamos sobre o Wattpad. Também existem os pequenos selos, as coletâneas, os e-books que foram fundamentais em minha construção como autor. Meu conselho é que mostrem seu texto onde for possível, estejam abertos à críticas e ao aprendizado. Quando seu texto estiver maduro, interessante e vendável, as editoras se interessarão. Foi o que aconteceu comigo.

Como foi aquela festa de boas-vindas na editora, com o Zé do Caixão, o Raphael Montes e todo aquele pessoal foda? Parecia um filme passando na sua cabeça ou foi assim, assim... nada demais?
Foi mágico. Imagine essa situação: você tem fé no seu trabalho, crê com todo coração que seus livros são bons e têm algo a dizer. Mas você não tem dimensão do que as outras pessoas pensam sobre isso. O mais espantoso para mim foi ter esse reconhecimento. Conversar com os blogueiros que colaboraram para que eu estivesse ali, autores parceiros, trocar expectativas sobre os nossos trabalhos. Conversei bastante com o Raphael Montes também, é um grande cara. Tem ideias abertas, gosta de trocar experiências, um ser humano fantástico. Conhecer o Zé do Caixão pessoalmente foi um sonho realizado, espero encontrá-lo mais vezes.

Até bem pouco tempo poucas editoras apostavam no terror (e fantasia) nacional, com destaque para a Draco, a Estronho e a falecida Tarja. Hoje vemos a Aleph contratando o André Vianco e a DarkSide Books lançando novos nomes como o seu e da Rô Mierling. O que você acha disso? Finalmente temos um mercado de literatura fantástica nacional?
Espero que sim, e pretendo contribuir para que se consolide de vez. O mercado reflete o interesse dos leitores, são eles que mandam. Antigamente tínhamos menos leitores, e menos interesse ainda nos autores nacionais, havia um ranço. O que está acontecendo agora é que esse jogo mudou. Hoje, os leitores mais jovens exigem autores nacionais. Isso faz parte da valorização do nosso próprio país, de deixarmos de lado esse maldito complexo de patinho feio. A contratação do André Vianco pela Aleph, assim como a minha, de Rô Mierling e Alexandre Callari pela incrível DarkSide mostra que as editoras estão respondendo a esses leitores. Estamos em um momento único para a literatura, um pouco ofuscado pela atual crise político-econômica, mas nada que nos desencoraje. O mercado está percebendo que literatura nacional também é vendável, que oferecemos livros tão bons ou até superiores aos que vêm lá de fora. Mas o brinde vai para a nova geração de leitores, são eles os operadores desse milagre.

Ave Cesar! Deixe seu recado para os leitores e fique com nosso abraço!
Bem, gostaria de agradecer muito pelo convite do Over Shock e pelo tempo de todos vocês. Leitores são o que mantêm escritores vivos. Sua vontade de saber, sua sede por entretenimento de qualidade, o tempo que se dedicam a ficar dentro da mente de outra pessoa. Vocês têm feito o melhor para a literatura desse país, não esmoreçam!
E tenho que insistir que mantenham sua coragem. Sei que muitos de vocês têm pretensões quanto a escrita. Meu conselho é que não desistam. Escreva todos os dias. Um poema para sua namorada, um memorando para aquele chefe que você detesta, gaste sua escrita em algo unicamente seu. E tenha em mente que é um caminho árduo e sem garantias. Entretanto, quando as luzes brilham sobre você, quando alguém diz: “Seu livro é incrível”, todo o resto se torna insignificante.
Fiquem em paz, continuem lendo, sonhando e descobrindo novos mundos.

Sobre o Entrevistador
Mauricio R B Campos nasceu em São Paulo, em 1977. Com formação em Administração, trabalha no mercado financeiro. É casado e está radicado em São Carlos (SP) desde 2008.
Publicou contos em diversas antologias, dos mais variados gêneros literários, tanto em formato tradicional quanto e-book, das editoras Komedi, Andross, Aped, Ixtlan, Illuminare, Multifoco, Navras Digital, Babelcube Inc., Darda e Buriti.
Como roteirista participou da antologia de HQ "O Rei de Amarelo em Quadrinhos".
Mantém um Website, uma conta no Twitter, Facebook e mais outras tantas redes sociais que não dá conta de verificar, atualizar, postar e compartilhar.

3 Comentários

  1. Olá Mauricio!
    Adorei ler esta entrevista com o Cesar, saber mais sobre ele e suas opiniões.
    Sucesso ao autor!
    Beijos!

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