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O escritor brasileiro Raduan Nassar foi condecorado nesta segunda-feira, 30, com o Prêmio Camões, a mais importante premiação da literatura em língua portuguesa. A escolha do autor foi realizada de forma unânime pelo júri responsável e anunciada em Lisboa por Miguel Honrado, secretário de Estado da Cultura de Portugal.

Ao justificar a escolha do autor, de 80 anos, o júri destacou que “através da ficção, o autor revela, no universo da sua obra, a complexidade das relações humanas em planos dificilmente acessíveis a outros modos do discurso”, ressaltando ainda “o uso rigoroso de uma linguagem cuja plasticidade se imprime em diferentes registos discursivos verificáveis numa obra que privilegia a densidade acima da extensão”. Por vencer o Prêmio Camões 2016, Raduan Nassar receberá 100 mil euros, cerca de 398,8 mil reais.

Raduan Nassar é o 12º escritor brasileiro a faturar o Camões. O último brasileiro a conquistar o prêmio foi historiador Alberto da Costa e Silva, em 2014. No último ano a vencedora foi a portuguesa Hélia Correia.

Criado pelos governos de Brasil e Portugal em 1988, o Prêmio Camões reconheceu ao longo dos anos nomes como Ferreira Gullar, João Ubaldo Ribeiro, Jorge Amado, José Saramago, Lygia Fagundes Telles, Mia Couto e Rachel de Queiroz.

Vida e obra
O novo ganhador do Prêmio Camões nasceu em Pindorama, interior de São Paulo, em 27 de novembro de 1935. Membro de uma família de origem libanesa, Raduan Nassar publicou apenas três obras, mas seu trabalho foi muitas vezes comparado ao de alguns dos maiores escritores brasileiros, como Clarice Lispector e Guimarães Rosa.

A curta carreira de Nassar começou, em 1975, com a publicação do romance “Lavoura Arcaica”, o seu primeiro livro, que no ano seguinte lhe rendeu a conquista do Prêmio Jabuti, mais importante premiação da literatura brasileira, na categoria Autor Revelação. O livro foi publicado após o irmão do autor tirar duas cópias do original e uma delas acabar na Livraria José Olympio Editora, que viria a publicar a primeira edição da obra.

Mais tarde, em 1978, o autor publica a novela “Um Copo de Cólera”. A exemplo do livro anterior, o seu segundo trabalho foi muito bem recebido pela crítica, o que lhe rendeu o prêmio de ficção da Associação Paulista de Críticos de Arte. Mais tarde, em 1999, a obra foi adaptada aos cinemas pelas mãos do diretor Aluizio Abranches e protagonizado por Júlia Lemmertz e Alexandre Borges.

Apesar do sucesso que alcançou com suas obras, no Brasil e no exterior, Raduan Nassar decidiu abandonar sua carreira literária nos anos 80, para se dedicar aos cuidados de uma fazenda no interior de São Paulo. Apenas alguns anos mais tarde, já em meados da década de 90, que foi publicado o terceiro e último livro do escritor: “Menina a caminho” (1997), que reúne cinco contos escritos nas décadas de 60 e 70.

Em uma de suas raras aparições em público, o escritor participou, em Brasília, no mês de março, de um ato a favor da hoje afastada presidente Dilma Rousseff.

Atualmente Raduan Nassar vive em São Paulo.

Um Comentário

  1. Rick, não fazia ideia sobre esse Prêmio Camões, gostei muito de saber e ainda mais interessada em conhecer esse autor.

    Beijos

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