13 Horas: Os soldados secretos de Benghazi, Mitchell Zuckoff, tradução de Marcelo Hauck, 1ª edição, Rio de Janeiro-RJ: Bertrand Brasil, 2016, 350 páginas.
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Em 11 de setembro de 2012, quando os americanos lembravam os onze anos do maior atentado terrorista da história, terroristas atacaram o Complexo da Missão Especial do Departamento de Estado dos EUA e o Anexo, base da CIA, em Benghazi, na Líbia. Durante as treze horas que sucederam o início do ataque, seis soldados da Equipe de Segurança do Anexo foram obrigados a agir com precisão e calma para proteger todos os americanos que trabalhavam nos locais, evitando assim uma tragédia ainda maior.
“Várias dezenas de homens entoando cânticos em árabe e atirando com AKs-47 para cima abarrotaram a entrada de pedestres ao lado do portão principal. No final, eles chegaram a mais de sessenta. (…). Os agressores não usavam insígnia, e nenhum dos americanos viram onde eles tinham se juntando nem exatamente quando chegaram ao portão. Uma coisa era certa: eles demonstravam o desejo em comum de aterrorizar americanos no Complexo da Missão Especial. Ou coisa pior” (pág. 105).
Antes de qualquer outra coisa é preciso deixar claro que 13 Horas: Os soldados secretos de Benghazi é um dos relatos mais impressionantes que tive o prazer de ler em toda a minha vida. A obra, escrita pelo jornalista Mitchell Zuckoff, com a equipe de Segurança do Anexo, pode não ser nenhuma obra-prima da literatura, e essa nem era a intenção, porém suas páginas são envolventes como as melhores obras do mercado e é possível fazer essa constatação em pouquíssimos capítulos.

Ao dizer isso posso até passar a impressão de que o enredo se mantém em um mesmo nível de envolvimento do princípio ao fim, mas acontece exatamente o contrário e nem por isso tenho motivos para reclamar. Como era de se esperar, apesar de narrar uma história real, o autor precisou de alguns capítulos para apresentar todo o contexto que gerou cada um dos conflitos, narrados com precisão, ao longo de pouco mais de trezentas páginas.

A necessidade de preparar o terreno não impede de a tensão transformar os relatos em uma narrativa impressionante, em especial após os primeiros ataques e a invasão dos terroristas no Complexo. Isso deu início a uma adrenalina incomum na literatura, visto que muitas vezes ela é sentida apenas em filmes sobre guerras. Neste caso, acabei me sentindo como se estivesse no local dos atentados, correndo risco de vida e desesperado ao perceber que precisava agir imediatamente caso quisesse salvar alguém e salvar a mim mesmo.

Ao meu ver, o principal motivo dessa sensação de ser parte da obra, confundida inclusive com a impotência de não poder fazer absolutamente nada, vem do fato de tudo ser real e não apenas uma fantasia de um escritor qualquer. Zuckoff pode até ter se utilizado de uma narrativa comum, quase entregando de bandeja a adaptação para o cinema, mas 13 horas é uma não-ficção e como tal explora a veracidade de todos os fatos.

Não é à toa que ao longo de todo o livro são apresentados, entre outras coisas, relatos táticos que revelam como os soldados do Anexo agiram ao longo das treze horas entre o início e o fim dessa missão inesperada. Deste modo a ideia é demonstrar cada detalhe por trás do envolvimento de todos os soldados e a principal consequência, não que seja um ponto negativo, é que muitas vezes isso acaba revelando inclusive o lado humano de todos eles e assim o interior de cada soldado é retratado para torná-los heróis, como de fato foram.

Ainda por escrever um livro de não-ficção, o autor precisou se preocupar com alguns pequenos detalhes que vão além do fato de manter tudo como realmente aconteceu, desmitificando inclusive muitas coisas que passaram a ser divulgadas após os atentados de 11 de setembro de 2012. O cuidado foi tão grande que os nomes de algumas personagens foram alterados, como uma espécie de preservação da imagem dos verdadeiros heróis que se arriscaram, salvaram vidas e entraram para a história por participarem de momentos de terror e angústia.

Não tenho receio em afirmar que nem mesmo os melhores livros de ação são tão eletrizantes quanto 13 horas. E é impossível se manter indiferente a estes relatos, principalmente ao chegar na metade da obra e se deparar com uma série de fotos que mostram o contraste entre o antes e o depois, servindo como um lembrete dos momentos de tensão que os soldados americanos enfrentaram há quase quatro anos (a foto do embaixador sendo tirado do local dos atentados, por exemplo, não sai da minha cabeça).

Só de pensar nas vítimas fatais e imaginar os motivos que causaram estes atos terroristas já passo a refletir sobre como o mundo chegou a este ponto. E, para minha infelicidade, diferente da obra em destaque, as conclusões não são nada agradáveis.
“Uma onda de adrenalina percorreu as veias dos operadores, mas novamente lhes disseram para esperar. Estavam acostumados a seguir ordens, e sabiam que a insubordinação poderia lhes custar o emprego ou coisa pior. Mas um pensamento em comum tomou os dois veículos: caso não lhes fosse dada permissão para irem logo, eles enfrentariam o problema com as próprias mãos” (pág. 123).

2 Comentários

  1. Rick, que resenha fantástica, não vou dizer que leria esse livro, mas sua crítica foi impecável.

    Beijos.

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  2. Olá Ricardo!
    Adorei a resenha. Deve ser interessante ler mais sobre o ocorrido contado por quem estava lá.
    Beijos!

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