Coração?, Gail Carriger, tradução de Flávia Carneiro Anderson, 1ª edição, Rio de Janeiro-RJ:
Valentina, 2016, 320 páginas.
Skoob: Clique Aqui.

Escrever sobre os livros da série O Protetorado da Sombrinha é sempre uma missão desafiadora. Muitas vezes faltam palavras que expressem, com a precisão necessária, o prazer que sinto toda vez que embarco em uma nova aventura protagonizada por Alexia Tarabotti, afinal ela e sua criadora são mulheres incríveis.

Gail Carriger escreve Coração? sem ter mais absolutamente nada para provar sobre a qualidade de seu trabalho. Tudo já está evidente desde Alma?, livro que apresentou esse universo fantástico criado pela autora inglesa. O que parece ser o caso é que a autora queria conquistar ainda mais os seus leitores, mesmo porque aqui são encontradas diferenças significativas no enredo, o que não o impede de ser tão empolgante quanto os títulos anteriores. Vale ressaltar, por exemplo, que dessa vez Alexia não está sob ameaça, porém os fantasmas deixam bem claro que alguém quer matar a Rainha. Resultado? Confusão à vista.

Tão logo percebe a gravidade da situação, a protagonista, que está em um momento muito inconveniente para se envolver em grandes emoções, precisa entrar de cabeça na investigação e, com isso, aos poucos desvenda fatos de muito interesse sobre o passado de algumas importantes personagens. A própria motivação para todo o enredo ganha novos ares após o início da investigação, o que obviamente influencia todo o envolvimento com a trama.

Mas nada se compara com os elementos steampunk da obra, que são cada vez mais impressionantes. Desde o primeiro livro que a autora vem aprimorando a importância dos elementos científicos para o todo, porém, dessa vez, ao destacar a invenção mais original e complexa até o momento, a autora foi muito além do imaginado. Com isso criou impecáveis cenas de ação, e como se ainda fosse necessário, provou por A mais B porque essa é a série steampunk mais cultuada do mundo.

E tão importante quanto qualquer detalhe supracitado é de longe a protagonista da série. Não me canso de falar, e dificilmente me cansarei um dia, que Alexia Tarabotti é a melhor protagonista feminina da literatura fantástica contemporânea. Seu modo de resolver todos os empecilhos, mesmo quando seus vestidos não ajudam em nada, e sua incrível capacidade de liderança, aliados à sua personalidade impecável, faz dela uma personagem sem igual. Não por menos não tenho receio em afirmar que a considero como minha maior paixão literária.

Embora não passe um capítulo sem que a autora cite o inconveniente que apareceu apenas para atrapalhar a vida de Lady e Lorde Maccon — sendo esse o único defeito —, o desfecho da obra surpreende em dois pontos distintos. Um por um fato inesperado, que imagino que ainda causará confusões, e outro pelas perguntas que surgiram mais uma vez no último parágrafo, literalmente. Isso apenas aumenta a curiosidade pelo quinto e infelizmente último título, que deve coroar a série que mais me surpreendeu nos últimos anos.

O problema é saber que tudo está chegando ao fim e que em breve será preciso me despedir. Sinto que me despedir de Alexia e companhia será tão difícil quanto escolher as palavras exatas para declarar como uma única série fez eu apreciar histórias de vampiros, lobisomens, ironias, sombrinhas, dirigíveis, polvos gigantes, colmeias, alcateias e bules de chá.
“Lorde Akeldama puxou para baixo a delicada musselina e alisou-a sobre a barriga dela, em um afago suave. Sua outra mão segurava o braço exposto da preternatural, e o contato tornou-o humano, naquele momento. As presas finas e delicadas desapareceram, a tez pálida adquiriu um tom levemente apessegado e os reluzentes cabelos louros perderam um pouco do brilho. Ele sorriu para ela, a face mais afeminada que etérea” (pág. 123).

2 Comentários

  1. Rick, que resenha mais linda. Já me falou tanto da Alexya que até eu consigo me apaixonar por ela. E com esse escrito você só conseguiu me fazer querer mais ainda comprar os livros dessa série.

    Beijos.

    ResponderExcluir
  2. Olá Ricardo!
    Eu tenho uma vontade de conhecer essa série, porque a temática steampunk me atrai e muito. Agora você fala da protagonista feminina forte e mais um ponto a favor.
    Amei a resenha! Beijos!

    ResponderExcluir